http://www.tvi24.iol.pt/ciencia/universidade-de-coimbra/investigadores-de-coimbra-descobrem-novo-metodo-para-prevenir-infecoes-hospitalares

Investigadores de Coimbra descobrem novo método para prevenir infeções hospitalares

A nova geração de polímeros permite eliminar, ainda antes da transmissão, “um espetro alargado de bactérias, de forma totalmente segura”. Os investigadores esperam colocar este novo método no circuito comercial dentro de dois a três anos.

23 out 2018, 11:35 Pedro Andrade
Laboratório

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) deu “mais um passo” para a prevenção de infeções hospitalares.

Em comunicado enviado à Agência Lusa, a FCTUC explicou que foi desenvolvida “uma nova geração de polímeros com propriedades antimicrobianas” que, depois de várias experiências laboratoriais, “demonstraram elevada atividade contra um vasto leque de estirpes indicadoras da atividade contra bactérias patogénicas e outras”.

No mesmo comunicado, Jorge Coelho e Paula Morais, coordenadores do estudo, explicam que, após os testes em laboratório, “as bactérias foram exterminadas quando colocadas em contacto com os polímeros”.

O objetivo, explicam os investigadores, é criar um revestimento antibacteriano (uma espécie de verniz) para “aplicação em unidades de saúde”. “É um método completamente seguro, que recorre a materiais biocompatíveis, inócuos para o ser humano”, afirmam.

Polímeros eliminam risco de transmissão das bactérias

De acordo com o relatório do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e Resistências aos Antimicrobianos da Direção-Geral da Saúde, lançado em dezembro do ano passado, o número de infeções hospitalares tem baixado ao longo dos últimos anos: esta taxa passou dos 10,5%, em 2012 (acima da média da União Europeia, que estava fixada nos 6,1%), para os 7,8%, em 2016.

Tendo em conta o risco da transmissão de bactérias e o problema da resistência aos antibióticos, a FCTUC garante que esta investigação “permite eliminar as bactérias antes de acontecer a transmissão”, salientando que “uma larga maioria das infeções acontece em ambiente hospitalar, sendo por isso essencial investigar formas inovadoras de as prevenir e
combater”.

De acordo com os investigadores e docentes dos departamentos de Engenharia Química e de Ciências da Vida da FCTUC, este método é aplicável à escala industrial e, segundo as estimativas desta equipa, poderá entrar no circuito comercial dentro de dois a três anos. O estudo, que foi publicado na revista científica “Biomacromolecules”, foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e conta com a colaboração da Faculdade de Engenharia do Porto.