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Semibreve: a música para lá do convencional

O segundo dia do festival Semibreve ficou marcado pelas atuações dos britânicos The Haxan Cloak e Forest Swords.

18 nov 2013, 01:35 Redação / Sofia Santana
Forest Swords Pelas nove da noite, já algumas pessoas se concentravam à porta do Theatro Circo, em Braga, para o segundo dia do Semibreve. Uma noite gelada, que pedia os melhores agasalhos, e que só aqueceu com os concertos do que já é considerado um dos principais eventos de música eletrónica experimental e exploratória em Portugal.

A sala principal do Theatro Circo, um anfiteatro majestoso em tons de dourado e vermelho, estava praticamente cheia para receber The Haxan Cloak, músico britânico que lançou este ano o álbum Excavation.

O projeto de Bobby Krlic é um universo de camadas densas, por vezes negras, que durante cerca de uma hora mostrou a eletrónica no seu estado mais visceral e inquietante. O músico serve-se dos efeitos digitais para provocar sensações que passam desde a mera reflexão ao próprio desconforto. Foram momentos que proporcionaram uma viagem transcendental, onde o público era livre de encaminhar a experiência em diferentes direções.

O segundo concerto da noite teve lugar no Pequeno Auditório, uma sala de arquitetura moderna, forrada quase exclusivamente a preto, onde atuou o músico português Rafael Toral.

Rafael Toral (acompanhado do seu Space Collective 3) está na vanguarda da música eletrónica mundial. Serve-se do jazz e dos sons digitais para criar uma experiência de música livre, que ultrapassa as representações usuais para questionar e recriar os conceitos de espaço e de tempo.

À meia noite, e novamente na sala principal, foi a vez de Forest Swords subir ao palco, acompanhado de um baixista e de uma projeção de imagens flutuantes. O projeto de Matthew Barnes, foi, de resto, o momento mais envolvente da noite, num festival onde a música está longe de ser uma experiência convencional.

Barnes mostrou o seu último trabalho, Engravings, um dos álbuns mais aclamados do ano, sem esquecer o anterior Dagger Paths que já tinha trazido a Portugal, no Optimus Primavera Sound de 2012.

O seu registo apoia-se nas influências do dub e das vozes soul para criar um conjunto de camadas eletrónicas harmoniosamente ligadas entre si. As suas composições são fragmentos de diferentes contextos, embebidos num universo quase místico, mas ritmado e melódico. Talvez por isso mesmo, o músico de Liverpool arrancou os maiores aplausos da noite.

Num tempo em que os eventos de música se multiplicam no país, o Semibreve vai-se afirmando como uma alternativa consistente aos festivais de música mais convencionais.