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Juliette Binoche: «Ser a criatura cansa-me. Quero ser a criadora»

A actriz francesa esteve no passado domingo em Lisboa. Numa conversa com o público, Binoche falou da sua paixão pela profissão e dos grandes marcos da sua carreira

22 nov 2013, 16:29 Redação / Marta Pimenta e Rita Barão Mendes
Juliette Binoche esteve em Portugal pela primeira vez em 2009 O Lisbon & Estoril Film Festival recebeu uma das artistas francesas mais reconhecidas internacionalmente. Sob o mote «Being Juliette Binoche», a conversa sobre a vida da actriz foi conduzida pelo organizador do festival de cinema, Paulo Branco.

Foi numa sala cheia do Espaço Nimas que Juliette Binoche, de 49 anos, começou por falar da sua adolescência. Confessou que não gostava de frequentar a escola e que nunca pensou em continuar os estudos. Aos 17 anos «decidi que ia estar no teatro, fosse a dirigir ou a actuar», contou.

Os pais da actriz tiveram grande influência na sua decisão. Também ligados ao teatro, separaram-se quando Binoche era muito jovem. A artista começou a ver o teatro como «uma forma de criar uma família, amigos, num momento de maior solidão».

Foi em 1985 que conseguiu o seu primeiro papel de relevo. O filme «Je Vous Salue», de Jean-Luc Godard, permitiu a estreia da actriz no mundo do cinema. «Nos meus tempos de jovem actriz, eu era muito obediente, porque queria ser amada, reconhecida».



«Ao fim de algum tempo, isso já não era suficiente». Foi nessa altura que Binoche começou a abordar realizadores que admirava, para poder participar nos seus filmes. «A passividade de um actor é muito triste. Estar sempre a fazer o mesmo não é criação». Esta ambição levou-a a integrar o elenco de «A Insustentável Leveza do Ser», de Phillip Kaufman.

A este papel, seguiram-se participações em mais de 40 filmes. «Tive a sorte de trabalhar com muitos realizadores que mudaram a minha vida. Termos de nos adaptar a diferentes ideias é mágico», acrescentou. A sua ambição fez com que, em 1997, conquistasse o Óscar de Melhor Actriz Secundária com o filme «O Paciente Inglês», de Anthony Minghella.

No final da conversa, a actriz respondeu a algumas perguntas da audiência. Um último pedido de uma fã - dizer algumas palavras em francês - fez com que Binoche se emocionasse. «O meu maior desejo é levar uma esperança de transformação. Estou apaixonada por esta profissão porque é a profissão da transformação. É a melhor do mundo».