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Centenário de Vergílio Ferreira assinalado com exposição inédita na Biblioteca Nacional

Espólio narrativo, cartas, fotografias e até citações do autor estarão patentes na Sala de Referência da BNP, em Lisboa, até 14 de Janeiro do próximo ano

25 out 2016, 13:00 Sónia Santos
Hábitos de leitura

 

O centenário do nascimento do escritor Vergílio Ferreira é comemorado, a partir desta terça-feira, na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, com uma exposição inédita. A mostra dá a conhecer o espólio artístico e pessoal do autor, que se encontrava à guarda desta instituição.

 

A exposição estará patente até 14 de janeiro do próximo ano, na Sala de Referência da BNP, e destaca a documentação da sua obra, incorporada, a partir de 1998, no Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea da biblioteca, por doação dos herdeiros do escritor.

 

Esta narrativa expositiva é completada por cartas, fotografias, citações, “ora sugerindo o enquadramento do escritor no seu universo relacional, ora assinalando reflexões próprias sobre a sua ‘arte’, a escrita, e a ‘arte’ alheia”, explica a BNP, em comunicado.

 

Através de algumas das suas obras ficcionais - ‘O caminho fica longe’, ‘Manhã submersa’, ‘Aparição’, ‘Para sempre’, ‘Na tua face’ e ‘Alegria breve’ – e ensaísticas - Invocação ao meu corpo’, ‘Interrogação ao destino', ‘Malraux e Da Fenomenologia a Sartre’, ensaio que abre a edição portuguesa de ‘O existencialismo é um humanismo’, a exposição procura “dar relevo aos processos de escrita” como pode ler-se no comunicado da BNP.

 

 Um núcleo evocando a relação de Vergílio Ferreira com artistas plásticos e as suas obras” encerra o percurso expositivo.

 

O centenário do nascimento de Vergílio Ferreira será ainda assinalada com a edição, ao longo deste ano, da sua obra completa, que, pela primeira vez, passou a estar totalmente disponível nas livrarias portuguesas, segundo fonte da editora Quetzal.

 

 É a primeira vez que a obra de Vergílio Ferreira estará totalmente disponível para os seus leitores, dos romances iniciais – ‘O caminho fica longe’, ‘Vagão J’, ‘Mudança’ -, até aos derradeiros títulos - ‘Cartas a Sandra’, ‘Na tua face’, ‘Em nome da terra’ -, passando pelos ensaios”, declara a editora Quetzal.

 

Vergílio Ferreira nasceu a 28 de janeiro de 1916, em Melo, uma aldeia da Beira Alta, no concelho de Gouveia e morreu no dia 01 de março de 1996, no seu apartamento, em Lisboa, onde residia. Está sepultado em Melo, virado para a Serra da Estrela, conforme a sua vontade.

 

É um dos escritores portugueses mais premiados de todos os tempos, onde se destacam prémios como o D. Dinis, em 1981, P.E.N. Clube de Novelística, por duas vezes, em 1984 e 1991, o de Ensaio, em 1993, o da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários, em 1984.

 

Recebeu Grande Prémio de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores, em 1987 e em 1993, respetivamente, por "Até ao fim" e "Na tua face". Foi também galardoado com o Prémio Camões, em 1992, ano em que foi eleito para a Academia de Ciências de Lisboa.

 

Em 1979 foi condecorado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, que distingue o mérito literário, científico e artístico.