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Três responsabilidades: AIESEC, Uniplaces e vida pessoal

Uma jovem que tem um cargo importante na AIESEC, para além disso trabalha na Uniplaces, e não deixa de ter vida pessoal. Sonha com um mundo melhor e em transformar o impossível em possível com soluções fáceis e acessíveis a qualquer pessoa.

14 fev 2017, 19:10 Joana Azevedo
martinha AIESEC

Martinha Gama Ribeiro tem 21 anos, licenciada em Gestão de Marketing no ISCTE-IUL, em 2016. 

Atualmente é presidente da AIESEC do ISCTE-IUL e trabalha na Uniplaces de Lisboa como Amassador Manager.

 

Cada dia é um dia diferente, mas está inteiramente organizado. 

 

Jovem, divertida, conversadora e sorridente, Martinha conta o seu percurso e como é que se tornou tão organizada. 

Quando é que foi a tua entrada na AIESEC?

MGR:Eu entrei na AIESEC em 2014, no meu primeiro ano de licenciatura. Nunca tinha ouvido falar na AIESEC, mas amigos meus começaram a falar neste projeto e que devia candidatar-me… Então fui investigar. E… (pausa) o meu objetivo era preencher o desejo de complementar o meu percurso académico com atividades extracurriculares. 

 

Martinha, porque é que decidiste pertencer a uma organização dentro da faculdade?

MGR:Olha… porque sou apologista de que devemos aproveitar as oportunidades que nos dão. Temos a sorte de estar num instituto superior que tem “milhares” de oportunidades para jovens, jovens empreendedores, e que nos ajudam a entrar no mercado de trabalho com maior facilidade. Outra coisa muito importante… estas organizações à parte da licenciatura, é aquilo que nos dá destaque no currículo quando estamos a concorrer para um lugar numa empresa. 

 

Qual foi o teu primeiro cargo na AIESEC?

MGR:Quando entrei fui para a área de vendas, isto é, criar contacto com empresas para estabelecer parceria com a associação, com o intuito de poder encaminhar os jovens estrangeiros a desenvolverem um estádio profissional com essas mesmas empresas. 

 

Foi o que idealizaste quando decidiste pertencer a associação?

MGR:No início não muito… Mas depois percebi que essa passagem fez-me crescer e permitiu-me chegar onde estou hoje, na presidência. E como se costuma dizer… tem que se começar por baixo. 

 

Como foi estar a estudar e pertencer à AIESEC?

MGR:Dá algum trabalho… tens responsabilidades de um lado e do outro. Precisas de ter alguma auto disciplina e uma gestão de tempo rigorosa.

 

Sempre tiveste atividades fora da escola?

MGR:Sempre tive esse hábito. Os meus pais sempre me incutiram essa ideia de que nos podemos focar em várias coisas ao mesmo tempo. E eu sempre fui muito desorganizada no meu tempo e por isso… às vezes termos muitas coisas para fazer ajuda-nos a controlar melhor o nosso tempo. 

 

Que outras atividades extracurriculares fizeste?

MGR:Joguei voleibol federada, andei no teatro, no ballet, no hip hop, na dança contemporânea, portanto sempre fiz muitas coisas extra. Não podemos estar só a estudar, devemos ter uma vida saudável e fazer outras coisas.

 

Como foi a passagem do secundário para o ensino superior?

MGR:Houve uma altura antes dos exames nacionais que eu fui parar ao hospital. Estava com uma doença que ninguém conseguiu sabia o que era, achavam que era algo crónico, mas os exames não concluíram nada. Disseram-me que podia ter haver com o stress, cansaço… algo do género. Até hoje não se sabe o que tive, mas não voltei a ter nada parecido e ainda bem! 

 

Como é que foi a tua visão da vida a seguir a esse episódio?

MGR:Isto fez-me pensar um bocado… Esta doença poderia ser uma variante de escoliose múltipla, então eu pensei que tinha que aproveitar a vida como eu queria. Então quis muito ir para o teatro, se não fosse o teatro ia para letras.

 

Tentaste seguir teatro?

MGR:Primeiro candidatei-me à Escola Superior de Teatro. Eu adoro teatro. Só que na altura não entrei por um valor. Nós tínhamos que fazer vários exames e na última fase eu não consegui entrar. Isso deixou-me um bocado abalado, porque pensava que era apenas isso que eu queria fazer para o resto da vida. Mas depois percebi que se calhar não era bem essa área para que foi feita. 

 

De teatro para Gestão de Marketing, como foi esse salto?

MGR:Portanto, as minhas candidaturas ao ensino superior foram; Ciências da Comunicação, Design de Comunicação e Gestão de Marketing… Portanto depois de tentar o teatro… Eu acabei por tirar boa nota a matemática e por isso a minha candidatura ao ensino superior era sempre melhor com o exame de matemática. E em Gestão de Marketing, das três, era a que eu entrava facilmente. 

 

Terminaste a licenciatura e não seguiste para mestrado. Escolheste ir para o mercado de trabalho, porquê?

MGR:É uma questão importante… Eu terminei a minha licenciatura, e neste momento não tenho a certeza da área que quero explorar a seguir. Aqui em Portugal é muito normal, as pessoas acabam a licenciatura e a seguir vão logo para mestrado, às vezes um bocado sem pensar. 

Eu não gosto muito de ser infeliz… por isso preferi explorar melhor o que é que eu gosto, e se calhar, então… escolher um mestrado que me preencha. 

 

Como é que apareceu a oportunidade de trabalhar na Uniplaces?

MGR:Na verdade, eu tenho um bocado sorte nestas coisas… a Uniplaces foi uma coisa que caiu do céu. Eu não tenho horário, trabalho por objetivos, sou remunerada e ainda recebo por objetivos. Não tenho que estar propriamente nos escritórios, apesar de eu achar que é bom estarmos presentes no nosso local de trabalho. 

Foi um colega meu que colocou no facebook esta vaga. Por isso candidatei-me e foi uma coisa perfeita que apareceu! 

 

Há pouco disseste que o facto de pertencer a uma associação dá uma componente diferenciado dos outros candidatos, sentiste isso quando concorreste ao lugar na Uniplaces?

MGR:Exato.. isso diferenciou-me dos restantes… Éramos sete candidatos e escolheram-me a mim porque já tinha gerido pessoas, implementado um projeto e gerir um projeto… eu já tinha algum conhecimento de como fazer e ensinar a fazer. Se não fosse a AIESEC, sem dúvida que não tinha sido escolhida para ser Ambassador Manager da Uniplaces.

 

O teu trabalho na Uniplaces e na AIESEC vai toda ao encontro de gerir pessoas. Não pensas fazer uma formação na área de gestão de recursos humanos?

MGR:Estou numa fase em que estou a refletir essa decisão. Neste momento ando a averiguar mestrados, mesmo para o próximo ano. Mas também empresas que possa trabalhar. Mas a área de pessoas e organizações é o que me puxa mais. 

 

Trabalhas com pessoas, às vezes precisas de algum refúgio?

MGR:Eu adoro música… Por isso, acaba por ser o meu refugio, por assim dizer. Às vezes preciso de fazer uma pausa das pessoas, ouço música e depois volto ao normal. Gosto de fado, rock, hip hop, tudo… 

 

Como é que geres o teu tempo no meio de duas grandes responsabilidades e vida pessoal?

MGR:No início foi bastante complicado. Foi difícil de gerir, mas temos de encarar desta forma: … ok… estou a ter dificuldades em gerir o meu tempo, e isto é aquele tipo de coisas que vamos ter que aprender a lidar para o resto da vida. Se estou com dificuldades é porque se calhar não me estou a saber organizar bem. Então vou aproveitar isso para experimentar coisas diferentes. 

 

Quais são os métodos que usas para conseguires ultrapassar essas dificuldades? 

MGR:Faço horários… com cores.. no google. Em todas as aplicações. Se eu estou a ganhar coisas boas dos dois lados, tenho de me organizar para fazer as coisas acontecer. Temos de encarar isto como desafiante e não como uma coisa difícil e impossível de fazer. 

 

AIESEC, Uniplaces e vida pessoal… o que fazes para teres tempo para tudo?

MGR:Às vezes durmo poucas horas… mas uma coisa que aprendi é definir uma hora para tentar estar despachada e ir ter com a minha família, ir ao ginásio, estar com o meu namorado. Mas nem sempre consegui ter esta organização.

 

O que te motivou ou motiva para agora conseguires ser tão organizada?

MGR:As metas e os objetivos cumpridos. 

 

Nada te assusta?

MGR:Ah eu antes não me metia em nada fora da minha zona de conforto. Mas ao estar na AIESEC percebi que isso era o melhor que me podia acontecer! (risos)

 

Qual foi o maior desafio no meio de tantos cargos?

MGR:Quando tive que subir ao palco do grande auditório do ISCTE-IUL. Sempre fui muito tímida e não gostava de chamar a atenção. Quando tive que enfrentar esse medo, vergonha senti que conseguia desafiar-me mais e mais.

 

A AIESEC é uma associação que trabalha de jovens para jovens, isto resulta?

MGR:Às vezes a confiança, as desculpas e a inércia é nossa inimiga. Mas como estamos aqui todos para o mesmo e temos todos o mesmo objetivo isto resulta. Posso-te dar o meu exemplo… Quando entrei aqui… (risos) tinha um grave problema com a pontualidade. Chegava constantemente atrasada sem qualquer desculpa. Comecei, muito rapidamente, a ser olhada de lado e puxaram-me as orelhas muitas vezes. 

 

E isso fez-te mudar de atitude?

MGR:Claro… eu não queria ser olhada de lado! Mudei logo, e comecei a chegar a horas sempre. Ao ponto de… (risos) agora eu chego cinco minutos antes e já acho que está tudo atrasado. Mas o português tem um grave problema em ver as horas. 

 

Já alguma vez tiveste que abdicar de alguma coisa por causa da AIESEC?

MGR:Abdiquei de coisas, sim… Houve uma altura que estive, se calhar, um bocadinho em baixo. Porque, ainda assim, a AIESEC às vezes ocupa-nos o fim-de-semana, porque temos o Boot Camp, temos team days… Isto são coisas um bocado obrigatórias para criar relações, para desenvolver o espírito de equipa.

 

Atualmente o seu dia-a-dia é repartido pelas várias paixões. De manhã está na Uniplaces, à tarde vai para a AISEC e termina por volta das seis da tarde, dependendo do que tiver para fazer. 

Não é impossível fazer tudo aquilo que se quer, se houver paixão naquilo que se faz. Martinha é a prova de que é possível conciliar o estudo, com as atividades extracurriculares, com a vida profissional e ajudar a construir um mundo melhor para todos.