http://www.tvi24.iol.pt/geral/15-11-2018/obike-bicicletas-in-sustentaveis

oBike: bicicletas (in)sustentáveis

A empresa de partilha de bicicletas prometia resolver o problema da sustentabilidade dos transportes nas grandes cidades. O mau uso foi uma das causas que levou ao fracasso do projeto a nível mundial.

Na China, há um cemitério para bicicletas

O serviço de partilha de bicicletas "oBike" continua a provocar problemas nas cidades onde ainda opera. Este projeto, criado como alternativa sustentável aos transportes urbanos convencionais, tem visto as suas bicicletas desaparecerem das ruas.

 

A oBike é uma empresa de partilha de bicicletas sediada em Singapura desde 2016 e chegou à cidade de Lisboa um ano depois. Está presente em 22 países, maioritariamente na Europa e no sudoeste asiático. Em setembro de 2017, a empresa foi notícia por ter atingido os 2 milhões de utilizadores no continente asiático, principalmente na Malásia, na Tailândia e em Singapura, tornando-se assim líder de mercado.

      

O serviço oBike está disponível a qualquer hora do dia através da aplicação e faz uso da tecnologia bluetooth para localizar as bicicletas mais próximas ao utilizador. Depois, basta usar o QR code para desbloquear a bicicleta e começar a pedalar. 

 

 

Segundo a empresa, os veículos deveriam poder ser estacionados em qualquer lugar da cidade, graças à presença de um geolocalizador dentro deles. A chamada "corrente livre", prometia ser um sopro de ar fresco para os moradores das cidades, habituados a engarrafamentos sem saída e filas de veículos sem fim.

      

No entanto, os constantes roubos e atos de vandalismo aos veículos de duas rodas foi um dos problemas que levou várias cidades a suspender o serviço de bike sharing (partilha de bicicletas). Em Lisboa, são vários os pontos em que ainda podemos encontrar o serviço da oBike:

 

 

Apesar de ainda existirem bicicletas da oBike nas ruas, embora em menor quantidade, a Polícia Municipal tem ordem para recolher estes veículos, caso os encontre.

    

Segundo a Câmara Municipal de Lisboa, a decisão de pôr fim à atividade da empresa privada não está relacionada com o facto de a própria autarquia, através da EMEL, estar a implementar um serviço de bicicletas partilhadas em estação fixa, o Gira.

     

A justificação principal é, segundo avançou o Público, o facto de a empresa ter operado sem “permissão administrativa necessária” para este tipo de atividade. Não é só em Portugal que o serviço de bicicletas partilhadas da oBike tem gerado problemas. No twitter, são muitos os utilizadores que partilham fotografias de bicicletas abandonadas, vandalizadas e, em alguns casos, completamente destruídas e deixadas na via pública.

    

A empresa ainda tentou combater os problemas de mau uso, através de regras estabelecidas por um código de conduta. Este pressupõe penalizações para os utilizadores que não cumpram as regras de uso: se não bloquear a sua bicicleta depois de a usar, se violar as regras de trânsito ou se transportar ilegalmente a mesma, estará sujeito a “perder pontos” na aplicação. Por outro lado, se relatar defeitos na bicicleta ou partilhar a sua viagem com amigos no facebook, melhora a sua classificação de utilizador. O sistema de créditos da oBike deveria servir de incentivo ao bom uso das bicicletas partilhadas, no entanto, acontece exatamente o contrário.

    

Apesar de ter nascido em Singapura, a oBike já não opera neste país. Após terem anunciado a sua saída, receberam mais de 3000 queixas de utilizadores que não conseguiram recuperar o montante da garantia. Já na China, milhares de bicicletas de empresas do mesmo setor têm sido deixadas ao abandono pelas ruas.