25 anos de Histórias Vencedoras
Prestes a celebrar 25 anos, TVI é o canal líder em Portugal desde o ano 2000 em horário nobre, passando a liderar a totalidade do dia a partir do ano 2005. Foi o canal que impulsionou a ficção portuguesa. Permitiu que as famílias se identificassem, todas as noites, com histórias da sociedade. Revelamos o segredo para se ter produto de ficção português com qualidade e sucesso.
Se falarmos em ficção Portuguesa, é inevitável não referir as influências das novelas Brasileiras do canal Globo. Eram líderes e eram a companhia preferida das famílias portuguesas.
Numa altura em que o público estava refém das produções do Brasil, alguém acreditou que era possível mudar o paradigma. Os portugueses reconheceram a aposta da TVI e passaram a preferir, em horário nobre, as novelas portuguesas. Foi na viragem do século que a TVI se impôs na ficção nacional com as novelas Todo o Tempo do Mundo, Jardins Proibidos e Olhos de Água . Mas a sua primeira tentativa foi em 1993 com Telhados de Vidro. Escrita por Rosa Lobato de Faria e produzida por Tozé Martinho. Entre 1993 e 1999, poucas foram as produções de ficção da TVI. Por ser um canal de baixa audiência na altura, produções como Trapos e companhia, produzida por Ana Rita Martinho em 1994 e Crianças S.O.S de Alexandra Maló em 2000, são exemplos de novelas que não vingaram.
A entrada de José Eduardo Moniz no canal, deu inicio a uma era brilhante para a ficção portuguesa. Foi a partir de 1999 com a novela Todo o Tempo do Mundo de Tozé Martinho, que se deu a reviravolta e se fixou o caminho certo a seguir. Logo após o sucesso de Todo o Tempo do Mundo, surge Jardins Proibidos de José Cunha Sobral em 2000 e Olhos de Água de Tozé Brito em 2001. Novelas que começaram a disparar as audiências do canal, fazendo com que houvesse um maior tempo de antena para a ficção. Foi a novela Anjo Selvagem de Enrique Torres , protagonizada por Paula Neves e José Carlos Pereira que atingiu a maior quota de mercado na altura, chegando a ser vista por mais de 2 milhões de portugueses em 2001.
José Eduardo Moniz falou connosco no seu gabinete na TVI e relembrou todo o processo feito até chegar ao sucesso da ficção da estação. Após mencionar os trabalhos iniciais produzidos pela TVI referiu que "no domínio da ficção foi esse o caminho que nós seguimos, (...) começámos a fazer algumas séries que complementassem a oferta de ficção. Eu tinha a noção que a caminhada era nessa direção". Foi nesta altura que o canal começou a apostar noutros formatos de ficção, como séries e telefilmes. Existia público para outros tipos de programas, sem ser telenovelas e por isso surgiram séries como Super Pai, Ana e Os Setes, Olá Pai e Joia de África. "Surgiram outros conjuntos de produções que serviram para provar o tipo de ficção que se deveria criar nesta casa", revelou o Ex-Diretor-Geral da TVI, após relembrar outra aposta de sucesso, Casos da Vida que eram episódios baseados em histórias reais.
Dois dos maiores marcos da ficção portuguesa da TVI foi Morangos Com Açúcar em 2003 e Ninguém Como Tu, protagonizada por Alexandra Lencastre, exibida em 2005, "foi muito mobilizadora de opinião publica e permitiu-nos fazer uma emissão especial quando foi o final da novela." Filha do Mar e Ilha dos Amores, são mais exemplos de sucesso e que tiveram muito impacto nas noites dos portugueses.
O canal teve imensa inovação e ao longo do anos, conseguiu afirmar que era possível fazer ficção vencedora e que era possível competir com grandes canais internacionais, como por exemplo é a TV Globo. Produções mais recentes, com formato menos tradicional e com ideias novas tem mantido a liderança de audiência, como A Única Mulher, Ouro Verde e agora A Herdeira.
Com a TVI a ser líder da ficção portuguesa desde 2005, provou-se que o público português quer conteúdo português. É para se manter este registo líder que José Eduardo Moniz, afirma que "a peça fundamental para um produto bem sucedido é o conjunto de história" . O segredo é ter histórias que surpreendam e identifiquem o espetador.
O segredo do sucesso
José Eduardo Moniz recorda que “houve muita inovação da nossa parte, ao longo dos anos, no sentido de afirmar que era possível fazer ficção vencedora”. O que é comprovado com resultados bastantes positivos e satisfatórios. 9 das 10 telenovelas mais vistas de sempre, em Portugal, são da TVI: Dei-te Quase Tudo (2005), Ninguém Como Tu (2005), Olhos de Água (2001), Filha do Mar (2001), A Outra (2008), Ilha dos Amores (2007), Feitiço de Amor (2008), Deixa Que Te Leve (2009) e Fascínios (2007). É notável a forte aposta na ficção nacional, cujo principal objetivo a alcançar, desde o início, seria o sucesso da estação.
A empresa Plural Entertainment que sucede a NBP, é a responsável por toda a produção e realização da ficção transmitida na TVI. Pedro Miranda, diretor da Plural Entertainment explicou que existe um conjunto de processos necessários para se chegar a um produto de ficção, “começando pelo texto, é preciso um autor para escrever e depois é preciso uma equipa artística, uma equipa de realização e uma de produção para poder arranjar elenco, figurinistas para vestir o elenco, cenógrafos para fazer cenários em estúdio, para poder ser contada uma história.”
O ex-Diretor-Geral da TVI desvenda que conceitos como perseverança, contemporaneidade, inovação e identificação do espetador têm vindo a ser o segredo por detrás do sucesso consecutivo da ficção da estação. “Ter capacidade para ter os melhores atores e arriscar em talentos novos. Não queremos servir sempre o mesmo: história, locais e maneiras de fazer. A música é também muito importante e vital.”. A história é o ponto de partida para o sucesso ou insucesso de um projeto de ficção. Poder fazer parte dela ou rever-se nela, é o que agarra o espetador.
A telenovela Meu Amor, estreada em 2009 na TVI, foi vencedora do Emmy Melhor Telenovela Internacional em novembro de 2010. Foi um marco na história da ficção portuguesa, por ter sido o primeiro prémio desta dimensão entregue a Portugal.
Pipo e Joana na série 1 dos Morangos com Açúcar
O telespetador português tem preferência pelo consumo de telenovelas, deixando os telefilmes e as séries um pouco de lado. As verbas da TVI também não permitem um grande investimento nestas áreas. O que foi apontado como um obstáculo à produção de ficção da estação. Contudo, já foram produzidos grandes telefilmes e séries, exemplos disso são: Casos da Vida e Morangos com Açúcar.
A série Morangos com Açúcar foi dos projetos com mais sucesso na televisão portuguesa. Foi transmitida pela TVI entre 2003 e 2012, contando com mais de 2000 episódios num total de 9 temporadas. A descoberta de inúmeros jovens atores aconteceu aqui. O impacto que a série teve nos portugueses foi de tal forma que, para encerrar toda a história, foi realizado um filme decorrente de todas as temporadas: Morangos com Açúcar – O Filme.
O motor da ficção
Nestes 25 anos de ficção TVI, não podemos deixar de falar de bastidores. O motor da ficção e o que faz com que, em casa, consigamos ver o episódio de uma novela.
Muitas pessoas envolvidas e alguns dias para se chegar ao produto final. Meios altamente tecnológicos, câmaras ultra- sensíveis, iluminação mais leve, cenários mais realistas e até histórias mais próximas da vida real: de cada um de nós. Mas, nem sempre foi assim. Pedro Miranda, diretor da Plural, admite que há 25 anos, fazer uma novela “era mais complicado, não havia telemóveis...era diferente, pior e mais difícil”. A comunicação entre a equipa era muito arcaica, dado que nem telefones havia, muito menos os programas informáticos que hoje facilitam o trabalho. Os episódios eram gravados em cassetes e o formato era analógico. Segundo Pedro Miranda, hoje em dia “editamos em HD”.
É preciso reunir várias condições para que uma novela vá para o ar com a qualidade que o telespetador quer ver. Em primeiro lugar, o autor tem que escrever o texto. Depois, são precisas equipas que escolhem os atores em função das personagens, figurinistas (que escolhem a roupa que o ator vai usar ao longo da trama), o cenógrafo para fazer o cenário em estúdio e como nos diz Pedro Miranda “é preciso muito equipamento: câmaras, tripés, luz, microfones, gruas...depois gravam-se as cenas e na fase final faz-se a pós-produção”. A pós-produção é o processo de edição de todas as cenas e que forma o episódio que vai para o ar.
A nossa equipa de reportagem teve acesso a uma visita guiada pela Plural. Um autêntico mundo à parte. Pedro Miranda mostrou-nos os livros que são o início da preparação de uma novela. O primeiro tem o perfil de cada personagem, bem como o ator associado e também as roupas que vai usar consoante a evolução da história. Há também livros com a maquete dos cenários de cada núcleo envolvente e que, posteriormente, são montados no estúdio. Inúmeros livros dentro de uma estante representando cada produção que houve na TVI. Tudo está muito bem planeado e estudado para que na hora das gravações nada falhe.
E o momento onde tudo acontece é o set de gravações. Os atores já estão preparados e prontos a gravar, mas antes há um ensaio para que nada falhe. Nesta nossa visita conseguimos ver a gravação da novela A Herdeira. Os cenários são muito pequenos mas muito realistas. Dentro de um estúdio cabem dezenas de cenários. Muitos elementos de produção estavam a postos para a gravação bem como os atores: Sofia Ribeiro, Joaquim Horta e Kelly Bailey. Uma cena que demorou 15 minutos a gravar. Enquanto a gravação decorre, o realizador vai escolhendo os planos que quer facilitando o trabalho na pós-produção.
As cenas exteriores são as que dão mais trabalho. É preciso escolher o local e a parte mais trabalhosa, segundo Pedro Miranda é “pedir autorizações, levar polícia para controlar tudo, arranjar meios e duplos”. Um trabalho nada fácil.
Todos nós assistimos a novelas, temos uma ou outra que nos marcou mais... Estes 25 anos de ficção da TVI têm dado ao espetador a possibilidade de sonhar, de viajar sem ser preciso sair de casa. Foram 25 anos com muito sucesso e com a promessa de no futuro ser ainda melhor.