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Do artesanato à fábrica de notícias

A TVI comemora 25 anos e fomos desvendar o que se passa detrás da produção da informação desta casa

redação tvi

Na régie faltam três minutos para entrarmos no ar. O realizador grita “atenção às câmaras e aos microfones. A pivô já está pronta. As repórteres que vão entrar em direto também estão posicionadas. Publicidade a terminar. O relógio está a contar”.

 

 

“5, 4, 3 ,2 ,1. Já estamos no ar”, diz o realizador.

 

 

PARABÉNS TVI!

 

O canal 4 celebra as bodas de prata com os espetadores. É líder de audiências há 11 anos. É a televisão preferida dos portugueses de norte a sul, dos Açores à Madeira.

 

E como todos os espetadores tem uma história, a TVI conta-a, nas 24 horas do dia nos 365 dias do ano. Parabéns a vocês, espetadores.

 

Dentro da redação vive-se assim: entre o “a minha está pronta” e o “estou a acabar” o editor decide o que vai para o ar. A pivô já lançou a notícia, a repórter mostrou o seu trabalho de rua. Mas não foi sozinha, o cameramen escolheu os melhores planos. A peça já foi montada e está pronta para ser lançada. Assim se cria conteúdo.  

 

Mas isto, é o que o espetador vê. Atrás das câmaras, na régie, são muitas as caras, mais do que aquelas que se calhar o espectador pensa. Cada uma focada em vários ecrãs. As notícias estão em constante atualização entre o realizador e a pivô. Concentração, dinâmica e rigor é o que se vê, o que se ouve e o que se sente.

 

 

 

 

 

Tal só era possível com todos as caras, mesmo até aquelas que nem todos conhecem, mas que todos os dias trabalham para fazer chegar até si as notícias do dia.

 

O calendário marcava o dia 20 de fevereiro de 1993 quando o país ligou a televisão e se deixou levar pela primeira emissão do quarto canal generalista. Uma redação pequena, cheia de receios e nervosismo, mas entusiasmada com o arranque de um projeto que há muito era desejado. Foi a partir da Avenida de Berna, em Lisboa, que se transmitiu o primeiro jornal. Instalações pequenas, onde a tecnologia ainda não tinha chegado. Os telefones e o fax eram os melhores amigos dos jornalistas numa redação, onde a internet era ainda de outra galáxia.

 

 

 

 

Quando a TVI chegou aos portugueses a transmissão de notícias era totalmente diferente. Um dos jornalistas que faz parte desta casa desde o seu nascimento, Victor Bandarra, lembra o quanto era difícil fazer notícias. “Éramos muitos na rua e andávamos numa correria constante sempre com o equipamento atrás, numa luta contra o tempo para chegarmos à redação com as famosas cassetes e, assim sermos os primeiros.”

 

Decorria o ano 1997 quando a TVI andava em obras e mudanças, para Queluz de Baixo, mas onde já se emitiam os diários de notícias e se produziam os conteúdos. Foi nesta nova casa que a Televisão Independente foi ganhando terreno e percebeu o que os espetadores queriam ver.

 

Voltando à atual redação fomos tentar perceber o segredo que levou a TVI ao primeiro lugar. A resposta é comum e a receita é do chefe José Eduardo Moniz.

 

O atual diretor adjunto de informação, António Prata, explicou que José Eduardo Moniz revolucionou o canal televisivo tanto no entretenimento como na informação. Uma não vive sem a outra e, por isso, o alinhamento dos programas com maior audiência entravam antes da informação noticiosa. Mas a grande subida de audiência deu-se quando o programa “The Big Brother” entrou nos jornais da TVI.

 

Na informação, a partir de um novo formato e alinhamento o jornal prendeu os espetadores à TVI. A revolução instalou-se na redação: novas caras, novos conteúdos, nova linha editorial e nova grelha, que fez crescer a família da informação.

 

A cobertura da tragédia de Entre-os-Rios, do 11 de setembro e do caso Freeport são alguns dos marcos históricos tanto para os jornalistas como para os espetadores. Mas não só histórias de grande magnitude e impacto tocaram a equipa desta casa.  

 

A televisão preferida dos portugueses conseguiu ser pioneira porque apostou na inovação: a primeira a usar lead’s para complementar a informação das peças noticiosas. Em 2006 transmitiu o campeonato da Europa de futebol em sub-21 em direto e em alta definição. Mais tarde, em 2010, para a preparação para o mundial, a TVI transmitiu um jogo de futebol, entre Portugal e Cabo Verde, em 3D.

 

O ano 2009 será sempre um marco na informação: nasce a TVI24. Mais um canal para o público. É neste ano que muita coisa acontece. A tecnologia evoluiu, maior pressão e maior crescimento. E nesta área ninguém melhor do que Paulo Bastos para falar sobre o assunto: “aprender a fazer a fusão da internet e da informação sem esquecer o passado”, sublinhou o jornalista. E quando questionado sobre o sucesso do quarto canal da televisão portuguesa a resposta é rápida e segura: “o segredo é experimentar tudo, tentativa e erro. E foi isso que o José Eduardo Moniz fez”.

 

Voltando à régie, o espaço onde tudo acontece…. Ouvem-se chamadas de atenção para os lead’s, oráculos e tickers. O realizador avisou que uma das peças já não vai ser transmitida porque, no exterior, a repórter ficou sem rede. As imagens que estavam a chegar ao estúdio tinham pouca qualidade para serem apresentadas ao espectador. Na sala, que é tão pequena, estão mais de 10 ecrãs, onde a agitação tem papel principal.

 

Saindo da régie damos com muitas caras que focadas no computador ou no telemóvel produzem notícias para os três jornais diários, para o canal TVI24 e suas plataformas online: sites e redes sociais. A escrita para qualquer um dos meios é distinta e única.

 

A redação é distribuída por dois pisos. O inferior está encostado aos estúdios que o espetador vê na televisão. É esse mesmo que está a pensar… Tudo o que vê atrás do pivô são jornalistas a atualizar notícias, na redação trabalha-se em alerta para o que acontece no mundo. O tempo é pouco para tudo o que a equipa consegue cobrir. Os chefes de redação também marcam lugar neste piso, que todos os dias tem de lidar com novos desafios.

 

Subindo as escadas…. Encontramos mais caras, secretárias, computadores e papéis, onde estão escondidos vários segredos que se transformam em grandes reportagens. Aquelas que o espetador não perde pitada. Também neste lugar encontramos o que poderíamos encher de “gostos”. O Facebook, Twitter e o site são atualizados ao segundo.

 

O espetador só vê o pivô e o repórter, mas já percebeu que são muitas as pessoas que tornam possível a informação chegar à nossa televisão, computador, telemóvel e tablet.

 

A TVI completa 25 anos de muitas histórias, aventuras, conquistas, batalhas e derrotas. Mas 25 anos de muito trabalho, esforço, dedicação e inovação. Mas quem vê esta família de fora facilmente percebe o orgulho que sentem quando percebem que o trabalho é valorizado pelos espetadores.

 

Há um ano conhecemos uma nova imagem e novos estúdios da TVI. Um cenário moderno com a última tecnologia para televisão. Há 25 anos o estúdio e a imagem da TVI eram totalmente diferentes: estúdio escuro, com poucos recursos e, a sua imagem ligava-se ao número 4.

 

E daqui a 25 anos, como estará a TVI? A pergunta foi feita a várias pessoas da redação. As repostas foram parecidas. Para muitos é impossível prever a este tempo, mas desejam o melhor para esta casa: manter a liderança, sem perder a essência do jornalismo. “Espero que a minha segunda casa continue a lutar para não falhar e, que daqui a 25 anos continue a ser líder”, destaca Lurdes Baeta, pivô da TVI e TVI24.

 

Para alguns esta é a oportunidade de arriscar: “Estamos num tempo em que temos de estar um pé à frente e para isso temos que fazer maluqueiras”, explica António Prata, diretor adjunto da informação.

 

A TVI está em milhares de ecrãs espalhados por todo o mundo, são milhões de pessoas. Estamos juntos há 25 anos. Agora, a pergunta é para si: como estará a informação da TVI daqui a 25 anos?

 

O espetador celebra com a TVI as bodas de ouro? O convite está feito.

 

“5, 4, 3, 2, 1. Fim da emissão.

 

Por hoje está feito, correu bem pessoal”, diz o realizador.