Pastéis de Belém: um doce conventual conhecido pelos quatro cantos do Mundo
Os Pastéis de Belém nascem no século XIX e mantêm a mesma receita artesanal até aos dias hoje. Diferentes do comum pastel de nata, a receita desta Maravilha de Portugal permanece no "segredo dos deuses".
12 FOTOS: Pastéis de Belém: um doce conventual conhecido pelos quatro cantos do MundoDo século XIX até aos nossos dias
Viajemos até ao Mosteiro dos Jerónimos, em Belém. Como consequência da Revolução Liberal de 1820, um dos seus monges põe à venda uns pastéis conventuais.
Tudo começa numa pequena loja de doces, adjunta a uma refinaria de cana de açúcar, mesmo junto ao Mosteiro. Já em 1834, eram muitas pessoas que visitavam a zona de Belém e saboreavam aquele doce. Podemos perceber que a atração para esta zona de Lisboa conta com mais de dois séculos.
Muito rápido, estes doces conventuais tornam-se num fenómeno e são registados três anos depois. Surge a marca “Pastéis de Belém”.
Desde o século XIX que os “Pastéis de Belém” respeitam a sua receita original, receita essa que é guardada e confecionada a sete chaves na “Oficina do Segredo”. Só os mestres pasteleiros que lá passam e a gerência é que a conhecem.
O sucesso destes pastéis passa pela escolha seletiva dos seus ingredientes. Miguel Clarinha, o gerente, acredita que:
Isto é um ponto forte para transportar o sabor da antiga doçaria portuguesa para os dias de hoje, tornando os “Pastéis de Belém” únicos".
Os Pastéis de Belém como uma das 7 Maravilhas da Gastronomia de Portugal
Os “Pastéis de Belém” inserem-se na gastronomia portuguesa como doçaria e pastelaria artesanal. Estes “deliciosos pastéis”, como a maioria os caracterizam, foram distinguidos como uma das 7 Maravilhas da Gastronomia Portuguesa em 2011. Este doce artesanal é a única gastronomia premiada registada como marca.
A massa folhada e o creme destes pastéis são confecionados por três mestres na “Oficina do Segredo”. Depois, a massa é cortada e moldada às formas por dezenas de senhoras, na copa. O creme é distribuído por cada forma com a ajuda de uma máquina e, por fim, são cozidos em grandes fornos.
Este pastel artesanal é conhecido pelos quatro cantos do mundo. Em média, são vendidos 20 mil pastéis diariamente, à exceção do mês de agosto, que são vendidos 40 mil. Isto só é possível pelos 190 funcionários que lá trabalham. Alguns dos funcionários já trabalham com os “Pastéis de Belém” há décadas, o que fez com que passassem por várias funções e subissem de cargo.
Como serão os Pastéis de Belém daqui a 10 anos?
A gerência dos “Pastéis de Belém” deseja preservar a receita original e a forma artesanal, como tem feito nos últimos 180 anos. Esta é a base para a empresa ter um futuro de sucesso. Se os “Pastéis de Belém” perderem a qualidade, o futuro da empresa estará em risco. Assim, o foco principal desta empresa, para manter a identidade da marca e do produto, é e sempre será a qualidade dos ingredientes, honrando a sua história, a sua receita original e o seu fabrico artesanal.
A marca com mais de 180 anos não tem intenção de se expandir nem de abrir novos pontos de venda a curto prazo, mas sim de melhorar o espaço atual e tirar o maior proveito dele. Caso este conceito deixe de funcionar, a gerência não tira a hipótese de criar um novo modelo de negócio.
Os Pastéis de Belém como cultura
Os “Pastéis de Belém” são um dos marcos da doçaria artesanal portuguesa não só pela sua antiguidade, mas também pela história da sua receita. Esta marca é importante naquilo que é o panorama da doçaria conventual portuguesa, tanto na história da zona de Belém, como também na história da cidade de Lisboa.
Se percorrermos aquelas filas gigantescas, que se formam todos os dias à porta da confeitaria, conseguimos perceber que estes doces já estão enraizados nos lisboetas, nos portugueses e até mesmo nos turistas estrangeiros. Podemos dizer que estes pastéis conventuais e artesanais já levaram o seu nome além fronteiras, não deixando morrer a tradição portuguesa.