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Portugal precisa de mais 2,17 planetas para manter estilo de vida atual

Segundo o relatório da Word Wide Found for Nation, o país subiu sete lugares na pegada ecológica "per capita" entre 2012 a 2014, mas precisa de estilo de vida mais sustentável

30 out 2018, 16:46 Rafaela Laja
Eólicas

A World Wide Found for Nation (WWF) apresentou hoje a edição deste ano do relatório Planeta Vivo. Segundo o documento, Portugal surge na 66.º posição: sete lugares acima do que acontecia no anterior, divulgado em 2016, com dados relativos a 2012.

Portugal diminuiu a sua pegada ecológica ‘per capita’ de 2012 para 2014 mas ainda precisa de 2,19 planetas para “manter o atual estilo de vida”, afirma a organização ambientalista WWF. Os dados apresentados nesta edição do Planeta Vivo poderão ser “consequência da crise económica que atingiu Portugal nesses anos”, considera a organização.

Ângela Morgado, diretora executiva da Associação Natureza Portugal, que trabalha em associação com a WWF, alerta que ”os portugueses têm de ter um estilo de vida mais sustentável, sob pena de se verem afetados não por uma crise económica, mas por uma crise ecológica sem precedentes que põe em risco a sua vida, a dos seus filhos e netos”.

Paralelamente, o relatório demonstra que a pegada ecológica dos portugueses foi sempre muito elevada comparativamente com a biocapacidade do país, que se tem mantido mais ou menos constante desde 1961.

A nível internacional, o relatório mostra um “quadro perturbador: a atividade humana está a empurrar os ecossistemas que sustentam a vida na Terra para um limite”.

“O relatório está a mostrar-nos a dura realidade, que as nossas florestas, oceanos e rios estão em risco. Isto é um indicador do tremendo impacto e pressão que estamos a exercer sobre o planeta, minando o tecido vivo que nos sustenta a todos: natureza e biodiversidade”, disse Marco Lambertini, diretor-geral da WWF Internacional.

O Índice Planeta Vivo (IPL), que acompanha as tendências de abundância global de vida selvagem, indica que as populações globais de peixes, aves, mamíferos, anfíbios e répteis diminuíram em média 60% entre 1970 e 2014. O relatório destaca ainda que “as principais ameaças às espécies estão diretamente ligadas às atividades humanas, incluindo perda e degradação de habitats e sobre exploração da vida selvagem”.