Prémio Nobel da Química entregue a uma mulher pela quinta vez
Cientista americana Frances Arnold fica com metade do prémio partilhado com George Smith e Gregory Winter. O trio desenvolveu proteínas a partir dos princípios da Teoria da Evolução de Charles Darwin.
O Prémio Nobel da Química de 2018 foi atribuído a uma investigação sobre novos métodos para a criação de “proteínas que resolvem muitos problemas da humanidade” na área dos biocombustíveis e farmaceuticos, anunciou o comité do Nobel no Instituto Karolinka, em Estocolmo.
Frances Arnold, cientista americana, ficará com metade do prémio de 9 milhões de coroas suecas, cerca de 866 mil €. A outra parte será dividida entre George P. Smith, também americano, e o britânico Sir Gregory P. Winter.
BREAKING NEWS:
The Royal Swedish Academy of Sciences has decided to award the #NobelPrize in Chemistry 2018 with one half to Frances H. Arnold and the other half jointly to George P. Smith and Sir Gregory P. Winter. pic.twitter.com/lLGivVLttB
— The Nobel Prize (@NobelPrize) 3 de outubro de 2018
“Estamos nos primórdios da revolução da evolução direta que trará um grande benefício para a humanidade”, destaca também o comité em comunicado.
A cientista é a quinta mulher a ganhar o Prémio Nobel da Química e conduziu a primeira investigação sobre evolução de enzimas: proteínas que catalisam reações químicas. Com esta investigação, as enzimas produzidas serão utilizadas para manufaturar matérias desde biocombustíveis a farmacêuticos.
Thank you everyone! I love this supportive community. I'm stunned, and now I just have to get home from Dallas...
— Frances Arnold (@francesarnold) 3 de outubro de 2018
"Obrigada a todos! Adoro esta comunidade que apoia. Estou encantada, e agora só tenho que regressar a casa...", escreveu a americana na sua conta de Twitter, a partir de Dallas.
Em entrevista ao blog de química PLOS Synbio, Frances já se tinha pronunciado sobre a minoria das mulheres no mundo científico, após ter sido a primeira mulher a ganhar o Millennium Technology Prize:
"Tenham em mente que muitos desses prémios são para conquistas que podem levar uma vida inteira a mostrar os seus impactos. Eu fui apenas a nona mulher a ser contratada para a Caltech, e tenho estado lá há mais de 30 anos. Tive tempo para construir o meu portfólio, por assim dizer. Muitas mulheres jovens estão hoje em posições académicas e eu prevejo que nos próximos 30 anos essas mulheres irão ganhar prémios de tecnologia. Somos plenamente capazes e cada vez mais mulheres jovens estão a enfrentar os desafios tecnológicos. Se olharmos para as áreas de química, engenharia e biologia sintética, há muitas mulheres que estão a caminhar para o topo. No entanto, precisamos nos apoiar mutuamente em todos os aspectos das nossas carreiras ."