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Catarina Martins critica Governo: "Estamos a apertar-nos cada vez mais para obedecer às regras de Bruxelas"

Embora defenda a proposta de OE, a líder do Bloco criticou o documento e o partido que o sustenta, o PS

18 out 2016, 18:45 Sara Sousa Pinto
VÍDEO: Dívida leva BE a concordar pela primeira vez com Manuela Ferreira Leite

Catarina Martins admitiu, esta terça-feira, que o Orçamento de Estado para 2017 tem limitações. Para a coordenadora do BE, o PSD deveria ser menos crítico porque com os sociais-democratas haveriam muito mais impostos.

 

No âmbito de uma tertúlia sobre “Política no Feminino”, que ocorreu na Universidade do Minho, a líder do bloco de esquerda apontou algumas lacunas na proposta orçamental do Governo socialista. Relembrou, no entanto, que esta “cumpre o acordo mínimo” entre os dois partidos, apesar de existirem matérias em que não foi possível chegar a acordo, tais como a eliminação da sobretaxa.

 

No entanto, estranha todo o criticismo do PSD em torno dos impostos já que, aos olhos da líder do bloco, os sociais-democratas teriam feito um agravamento fiscal, como aliás ficou comprovado no programa de Governo apresentado pela coligação PSD/CDS-PP.

 

A questão da restruturação da dívida voltou ao discurso político do Bloco de Esquerda. Para Catarina Martins, a grande divergência com o PS surge do facto de que a eliminação do défice não está a ser feita ao mesmo ritmo da restruturação da dívida. Em Braga, defende que continua a faltar dinheiro para o essencial.

 

Salienta que esta lógica de obediência europeia, retira à despesa pública o necessário para investir mais na saúde, na educação, na ciência e na cultura.

 

Depois de termos pago todas as despesas do Estado - tirando os juros da dívida - no fim de 2015 tinham sobrado 340 milhões de euros (...) No fim deste ano vão sobrar mais de 3 mil milhões de euros depois de pagarmos tudo o que precisamos de pagar (...) E para o ano que vem o Governo prevê que aumente ainda mais, que chegue até aos 5 mil milhões de euros, mesmo aumentando pensões, diminuindo a sobretaxa de IRS (...) Depois de pagarmos tudo cada vez nos sobra mais dinheiro e ainda assim não chega porque os juros da dívida por ano são 8 mil milhões de euros e nós estamos a apertar-nos cada vez mais para obedecer a regras de Bruxelas.” 

 

Quanto a este assunto, Catarina Martins mostrou concordar com Manuela Ferreira Leite:

 

 

 

Nunca chegámos a acordo sobre a sobretaxa. O acordo foi tirar a 90% dos contribuintes a sobretaxa em 2016 e agora o resto em 2017. O PS quer escalonar mais, não é essa a posição do BE, continuaremos a conversar", explicou.

 

Ainda sobre a eliminação ou não da sobretaxa, Catarina Martins reafirmou que o Bloco defende que esta "devia ter acabado" em 2016.