Avenidas Novas ganham verde e perdem trânsito
Obras de requalificação das Avenidas Novas deverão começar em Fevereiro de 2016
3 dez 2015, 17:50
/ Joana Leça
“N’O ultimo anno do século XIX Lisboa ia engrandecer-se em direcção ao norte e ao nascente, e já hoje, nas largas avenidas abertas, as arvores crescem, dão sombra e flor, os palácios alinham-se e os globos de luz eléctrica enchem com o seu luar as noites escuras e chuvosas de inverno.” contava a publicação.
Exatos 127 anos separam-nos da data do projeto. Em 2015 já não se romantizam as obras, nem se espera que em vez de 7 anos demorem apenas 24 meses. A zona do chamado ‘eixo central’ de Lisboa vai receber uma nova restruturação inserida no projeto “Uma Praça em cada bairro” do Plano Municipal de 2012.
As avenidas largas, que Ressano Garcia idealizou, foram ao longo dos anos transformadas em avenidas de trânsito e túneis, chegando em alguns pontos da Avenida da República às 10 faixas de carros. O trânsito, a velocidade e a poluição são uma realidade para aqueles que hoje em dia vivem entre o Marquês e o Campo Grande. “A rua foi sacrificada à circulação automóvel e ao estacionamento à superfície”, explica o plano da restruturação apresentado pelo vereador do urbanismo, Manuel Salgado.
Os objetivos principais da Câmara Municipal de Lisboa são favorecer a vida ativa, a redução dos acidentes e a melhoria da qualidade do ar. Vai proceder-se a uma arborização geral da área das Avenidas Novas, mas os locais que vão sofrer mais alterações são a Avenida Fontes Pereira de Melo, a Praça do Saldanha e a Avenida da República. Os passeios vão ser alargados, a velocidade vai diminuir, em algumas zonas até aos 30 km/h, e uma ciclovia vai ser criada para ligar os polos universitários.
Pretende-se com as obras valorizar esta zona da cidade, torná-la um novo centro de atração turística e melhorar o comércio de rua.
Vão desaparecer 302 lugares para carros. Este é um dos problemas que vão surgir para os moradores. José Toga Soares, Presidente da Associação de Moradores das Avenidas Novas afirma que estão apenas assegurados os lugares para moradores com dístico.
José Toga Soares - Presidente da Associação de Moradores das Avenidas Novas
Para José, a restruturação é muito positiva mas “podia ir-se mais além. Por que não acabar completamente com o trânsito à superfície?” A idealização do presidente da associação é que se transforme em jardim toda a superfície entre o Saldanha e a Praça de Entrecampos. “O trânsito passaria para túneis e diminuía assim a poluição nesta zona.”
No plano da Câmara está também prevista a criação de um túnel, mas existem questões partidárias por detrás da tomada de decisão. Na Assembleia Municipal, o CDS defende um túnel entre Picoas e a Avenida da República, o projeto prevê um túnel na zona da antiga Feira Popular.
Manuel Nery Nina, Presidente da Associação da Praça de Entrecampos, põe ainda a questão da extensão da Rua da Cruz Vermelha até à Avenida da República, que está prevista mas não faz parte desta restruturação. Esta rua atravessaria os terrenos da antiga Feira Popular, que ainda não foram vendidos, apesar de terem ido a hasta pública em Setembro. “Estamos a falar de uma obra de grande envergadura. Qualquer tipo de construção neste canto do eixo central está dependente daquilo que irá ser construído nestes terrenos num futuro próximo.”
Manuel Nery Nina - Presidente da Associação de Moradores da Praça de Entrecampos
As obras estão previstas começar em Fevereiro do próximo ano. Vão custar 11,5 milhões de euros e nenhum projeto foi inicialmente discutido com qualquer associação de moradores. Manuel Nery Nina critica a Câmara e o vereador do urbanismo por não se terem dirigido aos moradores e as dificuldades que têm em chegar à conversa. Os moradores sentem não estar a ser ouvidos e convidaram o vereador Manuel Salgado para estar presente numa sessão de explicação.
Da primeira vez, a agenda do político não permitiu os esclarecimentos, que chegaram finalmente a acontecer no dia 6 de outubro e repetiram-se a 26 do mesmo mês. A proposta está aprovada desde setembro. Segundo José Soares, foram distribuidos 1500 folhetos para promover a reunião. Apenas 130 moradores estiveram presentes.
Agora, já existem formas dos moradores queixosos chegarem à fala com a Câmara, através das associações. “À medida que vamos ver a obra a decorrer vamos apresentar algumas alterações. Criamos um endereço de email para os nossos associados apresentarem as suas sugestões e reclamações, e estamos em contacto com o urbanismo.”
A Junta de Freguesia das Avenidas Novas, presidida por Daniel Gonçalves, foi contactada no sentido de esclarecer a sua posição quanto a esta requalificação da freguesia, não tendo até ao fecho desta edição dado qualquer resposta.
Pretende-se com as obras valorizar esta zona da cidade, torná-la um novo centro de atração turística e melhorar o comércio de rua.
Vão desaparecer 302 lugares para carros. Este é um dos problemas que vão surgir para os moradores. José Toga Soares, Presidente da Associação de Moradores das Avenidas Novas afirma que estão apenas assegurados os lugares para moradores com dístico.
Para José, a restruturação é muito positiva mas “podia ir-se mais além. Por que não acabar completamente com o trânsito à superfície?” A idealização do presidente da associação é que se transforme em jardim toda a superfície entre o Saldanha e a Praça de Entrecampos. “O trânsito passaria para túneis e diminuía assim a poluição nesta zona.”
No plano da Câmara está também prevista a criação de um túnel, mas existem questões partidárias por detrás da tomada de decisão. Na Assembleia Municipal, o CDS defende um túnel entre Picoas e a Avenida da República, o projeto prevê um túnel na zona da antiga Feira Popular.
Manuel Nery Nina, Presidente da Associação da Praça de Entrecampos, põe ainda a questão da extensão da Rua da Cruz Vermelha até à Avenida da República, que está prevista mas não faz parte desta restruturação. Esta rua atravessaria os terrenos da antiga Feira Popular, que ainda não foram vendidos, apesar de terem ido a hasta pública em Setembro. “Estamos a falar de uma obra de grande envergadura. Qualquer tipo de construção neste canto do eixo central está dependente daquilo que irá ser construído nestes terrenos num futuro próximo.”
As obras estão previstas começar em Fevereiro do próximo ano. Vão custar 11,5 milhões de euros e nenhum projeto foi inicialmente discutido com qualquer associação de moradores. Manuel Nery Nina critica a Câmara e o vereador do urbanismo por não se terem dirigido aos moradores e as dificuldades que têm em chegar à conversa. Os moradores sentem não estar a ser ouvidos e convidaram o vereador Manuel Salgado para estar presente numa sessão de explicação.
Da primeira vez, a agenda do político não permitiu os esclarecimentos, que chegaram finalmente a acontecer no dia 6 de outubro e repetiram-se a 26 do mesmo mês. A proposta está aprovada desde setembro. Segundo José Soares, foram distribuidos 1500 folhetos para promover a reunião. Apenas 130 moradores estiveram presentes.
Agora, já existem formas dos moradores queixosos chegarem à fala com a Câmara, através das associações. “À medida que vamos ver a obra a decorrer vamos apresentar algumas alterações. Criamos um endereço de email para os nossos associados apresentarem as suas sugestões e reclamações, e estamos em contacto com o urbanismo.”
A Junta de Freguesia das Avenidas Novas, presidida por Daniel Gonçalves, foi contactada no sentido de esclarecer a sua posição quanto a esta requalificação da freguesia, não tendo até ao fecho desta edição dado qualquer resposta.