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Governo avalia possibilidade de Força Aérea apoiar combate a incêndios

Decisão está dependente da capacidade da FAP de combater os incêndios florestais através da utilização de aeronaves do Estado

10 nov 2016, 13:27 Sónia Santos
Exercício European Air Transport Training em Beja

 

O Ministério da Administração Interna (MAI) afirmou, esta quinta-feira, que o Governo vai avaliar a viabilidade de a Força Aérea Portuguesa (FAP) passar a operar os meios aéreos do Estado. Em causa está a possibilidade da organização de segurança nacional realizar missões de combate a incêndios florestais, segundo comunicado enviado à agência Lusa.

 

O gabinete do secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, adianta que estão previstas alterações ao nível dos meios aéreos de combate a incêndios, estando a ser equacionada a possibilidade de ser a FAP a gerir os meios aéreos do Estado, depois de cessados os contratos com operadoras privadas.

 

De acordo com o gabinete de Jorge Gomes, nas decisões de aquisição de aeronaves pela FAP vai pesar a capacidade de combater os incêndios florestais. O gabinete do secretário do MAI adianta ainda que será feito um estudo comparativo que inclui uma análise custo-benefício, entre a aquisição dos meios aéreos e os custos do período crítico dos incêndios.

 

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Em 2006, o Estado português adquiriu dez meios aéreos – seis helicópteros pesados Kamov e quatro helicópteros ligeiros B3-Ecureuil -, mas atualmente apenas estão operacionais três Kamov e três B3.

 

A frota começou a ficar mais pequena logo em 2007, quando um B3 se despenhou no Gerês e o piloto morreu.

 

Dos seis Kamov do Estado, apenas três estão atualmente aptos para voar, estando dois inoperacionais e outro acidentado, desde 2012. O Orçamento do Estado para 2017 tem uma verba prevista para a reparação dos dois helicópteros pesados inoperacionais.

 

Com a extinção da Empresa de Meios Aéreos, em outubro de 2014, a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) ficou responsável pela gestão dos contratos de operação e manutenção dos meios aéreos próprios do Estado.

 

Em fevereiro de 2015, a empresa Everjets ganhou o concurso público internacional de operação e manutenção dos helicópteros Kamov do Estado para quatro anos, num valor superior a 46 milhões de euros.

 

Agora o Governo considera atribuir a responsabilidade à Força Aérea Portuguesa, que terá de provar ter capacidades para ser eficaz no combate aos incêndios florestais.

 

Entre Agosto e Setembro a área ardida duplicou em relação ao mesmo período de 2015. Os Incêndios florestais consumiram, até 30 de setembro, 150.499 hectares. Proteção Civil diz que extinção de alguns fogos foi "muito difícil" e que todo o apoio conta.



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