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Crescimento económico surpreende PSD e agrada à esquerda

Luís Montenegro reconhece que o crescimento da economia é uma "boa notícia", mas desconfia da capacidade de manter estes valores a longo prazo

15 nov 2016, 23:58 Sara Sousa Pinto
Lider parlamentar do PSD, Luis Montenegro

O PSD admitiu, esta terça feira, que os dados económicos do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o terceiro trimestre do ano são positivos, mas adverte ao Governo para não ficar demasiado otimista com estes resultados.

 

Segundo dados do INE, neste período, a economia cresceu 1,6% em termos homólogos e 0,8% face ao trimestre anterior, acima das previsões dos analistas. Estes valores surpreenderam o líder da bancada do PSD, Luís Montenegro:

Há uma boa notícia para o país, que de alguma forma surpreende todos aqueles que perspetivavam nas últimas semanas um crescimento inferior”.

 

Apesar destas melhorias, ressaltou que é necessário “analisar os dados desagregados e perceber se há aqui uma base que possa sustentar um caminho duradouro de crescimento económico”.

 

Para Luís Montenegro, “é melhor termos uma boa notícia do que uma má notícia (...) em todo o caso, não é razão para embandeirar em arco e pensar que a nossa economia está a dar uma resposta que nos possa colocar acima da margem ou que possa sustentar no futuro mais acrescimento”.

 

O líder da bancada da oposição mantém-se cético, afirmando que Portugal terá um desempenho pior no final de 2016, comparavelmente ao ano anterior e que isso é “indiscutível, independentemente do resultado deste trimestre" e acrescenta: “esta boa notícia não é suficiente, e terá de ser complementada com uma trajetória que possa vislumbrar uma taxa de crescimento superior à que o governo estima para este ano e o próximo ano".

 

Para o INE, este crescimento refletiu sobretudo o contributo do aumento da procura externa, onde as exportações de bens e serviços tiveram um peso superior às importações, além da procura interna que também aumentou, como resultado da “acelaração do consumo privado”.

 

Mesmos dados, posturas distintas

 

Analisando os dados à esquerda, as opiniões são muito mais otimistas. Para o deputado do PCP, Paulo Sá, há "uma clara e efetiva melhoria da atividade económica nos três primeiros trimestres deste ano. É já o reflexo das medidas de recuperação de rendimentos implementadas no último ano, após a derrota do Governo PSD/CDS e da sua política".

 

O PCP vai de encontro à análise do INE e justifica o crescimento económico com o aumento do consumo privado, considerando que essa justificação espelha a melhoria das condições de vida dos cidadãos.

 

Já o Bloco de Esquerda (BE) também considerou que a avaliação do INE foi positiva mas, tal como advertiu o PSD, defende a necessidade de uma estratégia a longo prazo:

 

“O BE entende que quer na política de distribuição de rendimentos quer na política de investimento público, se estas políticas forem mais longe no futuro, será possível obter dados de crescimento económico muito mais consistentes", vincou Mariana Mortágua, em declarações aos jornalistas.

 

O porta-voz do PS, João Galamba, também se congratulou com os “dados extremamente positivos” – o melhor trimestre dos últimos 11” e com “o crescimento em cadeia mais elevado de toda a zona euro”, afirmando que estes servem para desmentir todos aqueles que insistiam no falhanço das políticas implementadas pelo Governo.

 

Termina, relembrando que a aposta dos socialistas sempre foi nos rendimentos - exemplificando com o aumento do imposto do selo sobre crédito ao consumo e do Imposto Sobre Veículos (ISV) - e também o aumento do emprego.