EUA: Marcelo e Costa felicitam Trump pela vitória nas eleições
Presidente da República e primeiro-ministro confiantes quanto à manutenção das relações entre Portugal e os EUA. Bloco de esquerda reage à eleição como um "perigo global" e onde reinou "a vitória do ódio"
O governo português felicitou, esta quarta-feira, Donald Trump pela vitória nas eleições presidenciais norte-americanas. António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa estão otimistas quanto à manutenção das relações entre Portugal e os EUA. O Bloco de Esquerda mostra-se crítico, assegurando que este resultado representa “um perigo global”.
O primeiro-ministro, António Costa acredita que a eleição de Trump como sucessor de Barack Obama não terá repercussões nas relações entre Portugal e os EUA.
"O Governo português já felicitou o senhor Trump pela sua eleição, reafirmando as nossas tradicionais boas relações com os Estados Unidos que serão certamente mantidas, tendo em conta o interesse comum de partilharmos o mesmo espaço atlântico. Temos o desejo de manter as excelentes relações que temos tido ao longo da História com os Estados Unidos", reforçou o primeiro-ministro.
Quando questionado sobre se a vitória do candidato republicano representa uma “má notícia” para Portugal, Costa afirmou que o nosso país tem por hábito respeitar as decisões democráticas dos países com os quais mantém relações diplomáticas e que “Portugal não se relaciona pom governos, mas sim com Estados e com povos”. Depois, desviou o assunto:
"Se tivesse de votar nos Estados Unidos, teria tido a necessidade de responder a essa questão, mas, assim posso concentrar-me na boa notícia de que o desemprego baixou em Portugal"
Já o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, enviou uma mensagem a Donald Trump, felicitando-o pela vitória nas eleições presidenciais e desejou-lhe sucesso no exercício das futuras funções. Na página da presidência da República, foi divulgada uma nota que reflete essa questão: "[O presidente da República] enviou uma mensagem de felicitações ao Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, desejando-lhe sucesso no exercício das funções que foi chamado a desempenhar pelo povo norte-americano".
Na mesma nota, Marcelo referiu ainda os laços de amizade entre os dois países, dando importância à significativa comunidade portuguesa e aos lusodescendentes residentes nos EUA.
Para o Bloco de Esquerda, o cenário é outro: a eleição de Donald Trump representa uma “vitória do ódio”, sendo o “caso mais impressionante no ciclo de desintegração dos sistemas políticos depois da crise financeira”.
Em comunicado emitido ao início da tarde de hoje, o BE afirma que “a eleição de Trump é um perigo global”, pelo “ódio à igualdade de direitos, à imigração e ao primado dos direitos humanos”. Acrescenta ainda que é “uma péssima notícia para os Estados Unidos e para o Mundo”.
A comissão política do BE recorda ainda que esta eleição é perigosa porque “Os EUA têm agora um presidente que nega a existência de alterações climáticas e quer cancelar o acordo de Paris". O comunicado conclui:
"Enfrentar o projeto de Donald Trump, que é a resposta errada aos impasses da globalização financeira, exige o encontro sem fronteiras de quem nunca desiste dos objetivos da democracia contra a barbárie, dos direitos humanos e da viabilidade do planeta”
Já o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, reconheceu que este não foi o desfecho que desejava, embora não tenha ficado surpreendido com a eleição de Trump. Acrescenta que as sondagens já tinham “falhado redondamente” no caso do Brexit e que esse cenário se poderia repetir nas presidenciais americanas.
Apesar disso, Passos Coelho fez votos para que Donald Trump se distancie da sua campanha eleitoral, “talvez [assim] as coisas não corram tão mal quanto se espera”. Caso isso não aconteça, Passos reconhece que haverão motivos para alguma apreensão.
Ainda assim, o líder do PSD relembra que o novo presidente foi eleito democraticamente pelos cidadãos, mas espera que este não opte pelo protecionismo e fechamento de fronteiras, como se a globalização não fosse uma realidade.
"Sabemos que ele foi eleito democraticamente, sabemos que [o] programa que anunciou (...) é um programa de maior fechamento da economia americana, de maior protecionismo, de certa maneira de maior fechamento da própria sociedade também, e isso não é uma coisa que nos agrade, (…) não é um resultado entusiasmante, espero que a prática se distancie disso", insistiu.
O sucessor de Barack Obama deverá tomar posse a 20 de janeiro de 2017, numa cerimónia pública junto ao edifício do Capitólio, em Washington.