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Contentores marítimos e dois autocarros: uma incubadora fora do comum

De repente o Tejo tem mais cor e um pouco de Londres dentro de si. Imaginem contentores coloridos, pessoas simpáticas e um autocarro transformado numa cafetaria.

31 out 2016, 20:27 Nádia Canhoto
10 FOTOS: Village Underground Lisboa
10 FOTOS

Village Underground Lisboa

31 out 2016, 18:21

Há dois anos nasceu o Village Underground Lisboa, uma incubadora certificada para as indústrias criativas, um espaço de cowork e de eventos multicultural. Com uma estrutura arquitetónica original que utiliza contentores marítimos transformados em escritórios e dois autocarros convertidos numa cafetaria e sala de reuniões.

 

Do coração londrino até Lisboa…

 

Mariana Duarte Silva é a pessoa por detrás dos contentores coloridos que se disponibilizou a contar esta história. Foi em Londres que conheceu o Village Underground e se apaixonou por todo o conceito.

 

 

O Village Underground foi criado em 2007 e surgiu da necessidade de criar um espaço para artistas no centro de Londres. Os fundadores procuraram vários locais, mas o Broad Street Rail Viaduct foi aquele pelo qual se apaixonaram.

Localizado no coração de East London é composto por um armazém, contentores e quatro carruagens de metro completamente recuperados. É uma incubadora de artistas que trabalham lado a lado, todos os dias. Ao mesmo tempo que são realizados concertos, exposições, teatro, arte ao vivo, etc.

Apaixonada pela experiência que viveu em Londres, decidiu que queria criar um espaço idêntico na sua cidade. Mas nem tudo foi fácil…

 

Em 2009, quando regressou do Reino Unido, Lisboa encontrava-se numa crise económica profunda. Ninguém queria ouvir falar de empreendorismo, muito menos de uma startup ligada às indústrias criativas. Ainda assim não desistiu, qualquer coisa lhe dizia que a ideia podia vir resultar. 

 

Quando a Time Out aparece… E tudo muda!

 

A minha relação com a Time Out sempre foi muito boa (…) Houve uma altura que eu estava desesperada porque não tinha sítio para o projeto e a Time Out insistiu comigo para que dissesse isso numa das revistas. Então saiu um bonequinho meu numa revista de final de ano que dizia os sonhos das pessoas para o próximo ano e eu disse: o meu sonho é arranjar um espaço. ” Contou-nos.

 

Surpreendentemente, a Câmara de Lisboa viu o artigo na Time Out e achou que o projeto tinha potencial para avançar. Acabaram por criar um protocolo enquanto parceiros e coorganizadores, que ainda hoje se encontra em vigor.

Para além da CM Lisboa e do Montepio o Village Underground Lisboa conta com o apoio da PT, da Amorim e a Jepetec.

 

Em 2014, após cinco anos de luta o projeto estava finalmente criado. Tendo recebido seis meses depois o “Prémio Novidade do ano 2014” pela Time Out.

 

Um prémio é sempre o reconhecimento do trabalho. Veio na hora certa (...) estávamos a começar, depois de uma luta de cinco anos e foi bom, foi muito bom.”

 

 

Contentores transformados em espaços de “coworking”

 

Existe uma grande confusão em relação à localização do espaço. Ao contrário do que se pensa o Village é independente do Lx Factory e está localizado dentro do Museu da Carris, em Alcântara. Sendo essa a sua única entrada.

 

Ao chegarmos deparamo-nos com uns quantos contentores pintados de diferentes cores e dois autocarros que parecem estar suspensos no ar. Estão umas quantas mesas ocupadas com pessoas a conversar, o ambiente é tranquilo e de boa disposição. Os colaboradores cumprimentam-nos de forma simpática e deixam-nos à vontade.

 

 

Os residentes do Village têm as mais diversas profissões, podemos encontramos pintores, designers ou até mesmo pessoas ligadas ao audiovisual. A procura dos espaços de trabalho é cada vez maior, tanto por portugueses como por estrangeiros.

 

Durante a entrevista, fomos interrompidas pelo Nick, um artista plástico americano que ia expor a sua obra na cordoaria nacional e tinha alugado o espaço para preparar a exposição. O Nick foi um, dos muito residentes, que tivemos oportunidade de conhecer.

 

 São os projetos aqui incubados que fazem esta comunidade criativa. São os residentes que dão visibilidade ao espaço. Temos uns mais ativos do que outros, mas todos eles contribuem positivamente para o espaço.” Disse-nos orgulhosamente.

 

Com apenas dois anos de existência já se vê uma evolução. Existem mais espaços verdes, a cafetaria serve o dobro dos almoços que servia no início, os colaboradores também são mais, os contentores têm mais pinturas, são realizados mais eventos e o número de pessoas que vem conhecer o espaço é cada vez maior.

 

Ser gestora do Village “é uma constante aprendizagem”

Com uma estrutura de 14 contentores e dois autocarros, o espaço de cowork e eventos culturais tem cerca de 60 lugares disponíveis para os residentes.

 

Cada contentor ou autocarro pode ser partilhado por cinco pessoas. E o preço por pessoa varia entre os 150 e os 200 euros por mês. Com internet, eletricidade e ar condicionado incluídos.

Ainda que tenha três fontes de receita: os espaços de trabalho, os eventos e a cafetaria, o Village tem uma estrutura pesada em termos de custos fixos, o que implica uma boa gestão do espaço.

 

Ser gestora do Village é um desafio todos os dias. É uma batalha que se joga todos os dias, de manhã à noite, de altos e baixos, com momentos de grande alegria, que alternam com momentos de grande frustração. É o ser responsável por uma equipa e por pessoas e pela vida dessas pessoas, tentar ser eticamente certa e tentar não falhar com quem se trabalha. É uma constante aprendizagem.”

 

Novembro traz uma nova surpresa!

A partir de meados de novembro deste ano, o VU Lisboa passa a ter mais um espaço para eventos. A ideia de criar uma “sala de espetáculos indoor” surgiu pela vontade de aumentar o número de eventos no inverno.

 

O custo de um evento, com tudo incluído, varia entre os mil e quinhentos euros e os dois mil euros. Para que o evento seja rentabilizado podem cobrar-se as entradas e o serviço de bar.

 

A nova “sala de espetáculos” vai contar com o apoio da Heineken e do BPI.

 

Um espaço que vale a pena conhecer…

Com uma essência muito própria, o Village, consegue tornar-se num  espaço agradável não só para trabalhar, mas também para lazer. Pode ser a opção para o próximo almoço com aquele amigo que não vemos há algum tempo. Ou quiçá, beber apenas um café. Desde concertos a workshops, opções é o que não falta.

 

É um dos melhores espaços que nasceu em Lisboa e fica só a dois passos do rio Tejo.