A mestre do Pestana CR7 Lisboa
É na receção do hotel Pestana CR7 Lisboa que encontramos Joana Coelho. Licenciada em Gestão de Empresas e mestre em Gestão Hoteleira, Joana é parte fulcral do hotel.
Aos 14 anos, Joana Coelho, viu-se arrastada para a Suíça, ou pelo menos assim se sentiu. O pai tinha sido colocado num novo posto de trabalho. Toda a família e a triste Joana rumaram a um dos países mais feliz do mundo (segundo Sustainable Development Solutions Network (SDSN)). Como já dizia Camões, “Quem quis, sempre pôde”, e aos 18 anos Joana voltava a Portugal.
Licenciou-se em Gestão de Empresas e seguiu-se um mestrado em Gestão Hoteleira. Do mestrado fazia parte um ano numa universidade na Flórida (E.U.A.), passado um ano e mais uma vez, Joana regressava a este cantinho da Europa. Hoje, fala português, inglês, francês, espanhol e dá uns toques no italiano, o que se revela uma mais valia quando se trabalha na receção de um dos mais movimentados hotéis do centro da capital - Pestana CR7 Lisboa.
- Como foi conhecer o Cristiano Ronaldo?
A primeira vez que o vi foi muito entusiasmante, porque foi o dia da inauguração do hotel. Visto que era a inauguração, houve uma festa enorme e estava toda a gente muito empolgada para o conhecer. Não sou muito fã, mas foi engraçado. Tinha alguma curiosidade em ver como ele reagia connosco. Achei que fosse um pouco mais arrogante talvez, mas não, foi sempre muito simpático com todos.
- Existe muita euforia cada vez que o Cristiano Ronaldo vai ao hotel? Como reage quem está no bar ou hospedado?
Cada vez que ele vai ao hotel nós como staff temos que estar extremamente atentos. Apesar de ele ter seguranças, também nós (staff) temos que tentar controlar as pessoas que estão a passar pelo hotel e os clientes e querem chegar perto dele. É sempre uma algazarra. Imensas pessoas querem autógrafos, fotos, falar com ele, etc...
- É comum ele ir ao hotel?
Sim é comum, o hotel abriu oficialmente em outubro e desde aí ele já lá esteve umas quatro ou cinco vezes. Em regra geral, sempre que está em Portugal vai lá ao hotel.
- Como conseguiste ficar ao lado do Cristiano na foto no dia de inauguração?
No dia da inauguração quando me chamaram para a foto de grupo já estava lá quase toda a gente posicionada. Eu por acaso fazia anos naquele dia e pedi para ficar lá no meio, supostamente à frente do lugar onde o Cristiano Ronaldo ia ficar. No meio de toda aquela confusão, o Cristiano Ronaldo não ficou no lugar que lhe estava destinado e olhou para mim e disse: “Ah, eu fico já aqui” e meteu a mão no meu ombro e pronto.
- O Cristiano tem muito staff? Com quem já falaste mais?
Ele não costuma vir com muita gente. Vem sempre com o mesmo segurança e depois depende. No dia da inauguração estava com a família e vários amigos. Também já esteve no hotel para uma reunião e aí estava com mais algumas pessoas que trabalham com ele nesta parte de negócios. Houve ainda uma vez, que foi ao hotel jantar, simplesmente com um grupo pequeno de amigos. Do staff do Cristiano, a pessoa que mais frequenta o hotel é o Ricardo Regufe, que é cinco estrelas, super acessível e sempre muito simpático com toda a gente.
- Como foste parar a este hotel? qual o percurso depois do mestrado acabar?
Foi quase por acaso, eu seguia as páginas oficiais do Grupo Pestana por ser uma grande cadeia hoteleira onde sempre quis trabalhar. Um dia vi no facebook um anúncio de recrutamento para um novo hotel que iria abrir e era o Pestana CR7 Lisboa. Mandei o curriculum e ligaram-me para ir a um casting. Acabei por passar à fase final de entrevistas e depois fui selecionada. Isto no seguimento de dois estágios, de três meses cada, primeiro no Radisson e depois no Tivoli, que fiz após terminar o mestrado e regressar dos E.U.A..
- Como é trabalhar no hotel Pestana CR7 Lisboa?
É giro, porque a equipa é toda nova. Abrimos todos juntos o hotel, fomos a primeira equipa daquele hotel. Isso também criou um espírito de entreajuda muito bom, damo-nos todos muito bem. E claro, o facto de o grupo Pestana ter imensas oportunidades de carreira também é um incentivo.
- Sentes que todas as competências, que adquiriste na licenciatura e no mestrado, estão a ser aproveitadas?
Para já não. De momento estou no cargo de rececionista e acho que tenho estudos a mais para este cargo.
- Em que cargo achas que as tuas competências seriam aproveitadas?
Eu gostava de ser comercial, que é quem trata das tarifas para as empresas, quem organiza as visitas aos hotéis, estabelece acordos comerciais, promoção e eventos nos hotéis...
- Qual o cargo que mais ambicionas ter no mundo hoteleiro?
- Apesar de ter noção da dificuldade do que quero, ambiciono um dia ser diretora comercial dos quatro hotéis Pestana CR7 ou diretora de uma unidade do mm grupo.
- Qual foi o teu percurso académico?
Estive numa licenciatura em Gestão de Empresas durante três anos. Quando acabei decidi inscrever-me num mestrado, com duração de dois anos, em Gestão Hoteleira. Um mestrado um pouco fora do comum. O primeiro ano do mestrado foi no ISCTE e o segundo na UCF (University of Central Florida) nos E.U.A..
- O que te fez optar por hotelaria depois de uma licenciatura em Gestão de Empresas?
Não foi uma escolha fácil. Ainda assim, escolhi hotelaria porque quando acabei a licenciatura não me identificava com finanças nem contabilidade. Não me via num emprego demasiado rotineiro, das 9h às 17h, a fazer o mesmo para o resto da vida. Num hotel existem inúmeros departamentos, sabia que não faria mais do mesmo para o resto vida. Aliando isto ao facto de sempre ter viajado muito e falar quatro línguas, a escolha foi a hotelaria.
-Olhando para trás, passados já uns anos, foste feliz durante os três anos que viveste na Suíça?
Não, não fui feliz. Habituei-me à ideia e ao fim de uns tempos habituei-me, mas não posso dizer que fui feliz a viver na Suíça, isso não fui.
- Achas que foi recompensador de algum modo agora que olhas para trás?
Sim, acho que foi recompensador em termos de educação e cresci um bocadinho, agora em termos emocionais não.
- O que guardas das tuas experiências no estrangeiro?
Da experiencia da suíça retirei a aprendizagem de línguas e o facto de conhecer e lidar com outras culturas. Dadas as circunstâncias vi-me obrigada a melhorar o meu inglês rapidamente e na escola constavam as disciplinas de espanhol e francês. Como estava no colégio internacional também havia uma grande multiculturalidade de línguas o que ajudou também a que hoje fale português, inglês, francês, espanhol e dê uns toques no italiano. Já nos E.U.A. aprendi a desenrascar-me. Estava pela primeira vez a viver sozinha e a ser independente. Portanto tive de começar a dominar as tarefas mais banais do dia à dia como lavar a roupa, preparar refeições todos os dias, limpar o pó, passar a ferro, ir ao supermercado todas as semanas, etc...
- Quando decidiste ir um ano que estiveste nos E.U.A. foi por vontade própria, ainda assim foi novamente difícil?
Custou-me muito ir embora, a despedida foi difícil. Contudo, não teve nada a ver como quando foi para ir para a Suíça. Adorei estar nos E.U.A., foi uma experiência excelente, mas também por ter ido com os meus amigos, que já conhecia há um ano, que entraram comigo no mestrado. Foi uma experiência completamente diferente. Desta vez adorei, foi só um ano e fui eu que quis ir. Claro que as saudades existem sempre, mas adorei estar lá. Foi o tempo e a altura indicada. Chegou-me um ano.
-Durante o primeiro dia nos E.U.A. não te relembraste dos primeiros tempos na Suíça?
Não. Não, porque o apoio que eu tive e a mentalidade que eu tinha era diferente. Eu para a Suíça fui contrariada, revoltada e triste e para os E.U.A. não. Fui por vontade própria, com pessoas que eu gostava, sabia que seria bom para mim quer a nível pessoal como profissional.
- Quais são as maiores diferenças dos sistemas educacionais da Suíça e dos E.U.A comparativamente com o português?
A educação, tanto na Suíça como nos E.U.A., é mais exigente quando comparada com o que acontece em Portugal. Na Suíça, no secundário, tinha muito mais cadeiras do que as que os meus amigos que tinham ficado em Portugal tinham. Para não falar que tínhamos muitos mais períodos de avaliação ao longo de um semestre do que no ensino secundário português. Nos E.U.A, os professores são extremamente exigentes. Todos os dias inventavam trabalhos todos os dias. Como se isto por si só já não fosse complicado de gerir, nas universidades americanas é necessário manter cada nota acima dos 70% para se poder continuar no mestrado, caso contrário os alunos são “convidados” a não se inscreverem no semestre seguinte.
- Tu já viveste vários anos no estrangeiro e sabes que terias mais propostas com maiores rendimentos fora de Portugal. O que te faz ficar?
O que me faz ficar em Portugal? É o facto de ser um país excelente. Com um enorme potencial por explorar na área do turismo e na hotelaria. Portugal já ganhou imensos prémios de turismo e ano após ano aumenta o número de prémios que ganhou no ano anterior. Contudo, também é evidente que a parte pessoal me faz ir ficando. A minha vida é em Lisboa.