http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/13-11-2018/ja-nao-faz-sentido-ver-televisao-para-estar-informado

"Já não faz sentido ver televisão" para estar informado

Inquiridos revelam que preferem plataformas digitais para consumo regular de notícias. Falta de isenção e sensacionalismo apontados como a maior causa para o descrédito na informação.

Notícias

Os portugueses utilizam cada vez mais as redes sociais para se manterem informados. Num inquérito feito no ISCTE-IUL sobre o consumo de notícias diário, os entrevistados assistem a menos televisão e, para a maioria, o digital é o único meio utilizado.

 

"Ver notícias na televisão já não faz sentido. Quem vê televisão são as pessoas mais velhas", confessa Mariana Cabrita, estudante de mestrado. A jovem acrescenta que o Facebook é a melhor forma de saber notícias: "Estamos a passear na plataforma e estamos a par de tudo e conseguimos absorver informação que, de outra forma, não veríamos na televisão."

 

 

 

Quando questionados, os inquiridos admitem que a comunicação social está a seguir uma via "demasiado sensacionalista". Dizem, ainda, que existem notícias que têm maior exposição mediática, não pela sua relevância, mas pela sua repercussão em termos de vendas.

 

 

 

"O jornalismo em Portugal é demasiado tendencioso: poucos canais e poucos jornalistas isentos. É a força do dinheiro a falar mais alto", opina Tiago Henriques, livreiro de 33 anos, que acrescenta que "o jornalista faz a notícia que o patrão paga para escrever".
 

 

"É o que vende que está na ordem do dia"

Para os portugueses, as redes sociais têm determinado a relevância dos conteúdos para a agenda mediática. Para Tiago Henriques, estas plataformas dão destaque a determinados temas a que a comunicação social é obrigada "a ir atrás", como é o caso do futebol.

"Eu gosto muito de futebol, mas faz-me muita confusão abrir um jornal informativo em horário nobre com resultados de jogos", acrescenta Rute Rodrigues

 

Os inquiridos destacam também a grande quantidade de programas dedicados a este desporto nos canais informativos, sendo esta uma consequência do padrão de consumo dos portugueses.

 

"Nunca tem dúvidas do que lê no Facebook? - Não"

Este inquérito revela também que pessoas com mais hábitos de consumo de notícias têm uma melhor percepção sobre o que é factual e o que é fake news (informações falsas). Os entrevistados acreditam que é possível perceber a tendência ideológica, seja política ou clubística, dos órgãos de informação.

Há jornalismo bom em Portugal, não tenho qualquer dúvida disso. Há bons jornalistas, há boas matérias, o difícil às vezes é saber como é que as pessoas podem chegar lá", afirma Rute Rodrigues

A consciência da individualização da notícia e de quem a escreve é outra das conclusões do inquérito. Os portugueses estão atentos à qualidade dos conteúdos produzidos, independentemente do órgão de comunicação que os produz.

 

Contudo, Pedro Travanca, estudante de 22 anos, acredita que as redes sociais são uma fonte fidedigna para obter informação diária e admite confiar em "rumores" para avaliar a veracidade de uma notícia. 

 

 

Diferente é o caso de Joana Barroso, funcionária de livraria, que confessa não acreditar "de todo" em notícias e no jornalismo em geral. Este facto leva-a a uma falta de interesse pela informação, que não consome.