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Benamôr: do Campo Grande para o mundo

Orgulhosamente portuguesa, esta marca de cosméticos já não é apenas "o creme das avós". Quase 100 anos depois do início desta aventura, a Benamôr soube reinventar-se e está prestes a conquistar os quatro cantos do planeta.

benamôr

 

 

Em 1925, o mundo mudou: é publicado o primeiro número da revista “Times”, nasce Margaret Thatcher e, em Portugal, a família Benamôr começa a construir um legado de sucesso que perdura até aos dias de hoje.

 

 

Depois do creme de rosto, produzido nos laboratórios do Campo Grande, surge em 1927 a perfumaria com o mesmo nome no número 200 da Rua Augusta, bem no coração da cidade lisboeta. Ao longo de tantas décadas dedicadas à cosmética, a Benamôr foi lançando dezenas de produtos e fórmulas próprias: dos sabonetes aos perfumes, nada parece ter ficado de fora deste negócio de família.

 

 

93 anos depois, a Benamôr não é apenas o creme dos avós. Quem entra na recente loja do Campo das Cebolas percebe que a marca não estagnou no tempo muito por culpa de Pierre Stark, o CEO desta empresa, que se deixou apaixonar pela marca “à primeira vista” em 2015.

Uma história de resiliência

No início do século XX o creme de rosto, o protetor solar Bronzaline e o primeiro produto para o tratamento da queda de cabelo catapultaram a Benamôr para as bocas do povo. O país rendeu-se a esta marca e nem a rainha D. Amélia ficou indiferente aos produtos com ingredientes naturais e que garantiam os resultados prometidos.

 

 

"Mais de 90 anos depois do início desta história, temos a credibilidade e a possibilidade de conquistar os mercados de beleza de todo o mundo”, diz confiante Pierre Stark, o novo “homem do leme” desta embarcação que tem dedicado o seu trabalho durante as últimas duas décadas ao universo da cosmética e do “skin care”.

 

 

Mas o futuro desta empresa nem sempre pareceu tão brilhante. Assim que Portugal abriu as portas ao mercado externo, na década de 80, a produção da marca sentiu na pele os efeitos da chegada dos produtos internacionais que inundaram as prateleiras das lojas portuguesas.

 

 

A produção baixou de forma drástica “até quase desaparecer”, e restringiu-se apenas a três produtos: dois cremes de mãos e um creme de rosto, que ainda hoje são uma referência para todos os fãs e apaixonados pelo universo da cosmética.

 

 

Por agora, a história é outra: entre sais de banho, máscaras de rosto e água de rosas, a Benamôr está a preparar-se para voltar a tomar de assalto o mercado nacional e a solidificar a sua posição no estrangeiro. “Queremos que seja uma marca exemplar e única em todo o mundo”, reforça Pierre Stark.

 

 

“Somos uma grande família”

 

Em 1925, Portugal contava apenas com duas empresas dedicadas a este negócio: a Ach Brito, no Porto, e a Nally, mais a sul, cuja existência está intimamente ligada à Benamôr.

 

 

Mas esta é uma história de coragem e valentia: entre um processo de falência, durante os anos 60, e o incêndio que destruiu a sede junto à Torre do Tombo, na década de 1980, a Benamôr tem lutado “a ferro e fogo” ao longo dos anos para continuar este legado único no país.

 

 

Nos últimos 25 anos a empresa tem dedicado o seu trabalho à produção para outras marcas: modelo de negócio que foi permitindo a subsistência da Benamôr e da manutenção dos postos de trabalho de todos os funcionários da empresa, que está instalada desde 2009 na zona industrial de Alenquer.

 

À grande e à francesa

 

Tudo mudou há três anos, em 2015, quando o francês Pierre Stark conheceu a marca através de Catarina Portas, amiga de família e dona das lojas “A vida Portuguesa” que vende produtos nacionais, entre eles o creme de rosto Benamôr. Depois de testar os produtos rendeu-se por completo a esta marca e decidiu comprar a empresa.

 

 

“O objetivo é dar uma nova vitalidade e uma exposição mais internacional à Benamôr”, garante Pierre Stark.

 

 

Os ventos da mudança já começam a sentir-se: por enquanto, a marca pode ser encontrada nas prateleiras do El Corte Inglès, da Perfumes e Companhia e noutros estabelecimentos selecionados de norte a sul do país. O objetivo é chegar aos quatros cantos do planeta, sem nunca esquecer todos aqueles que, ao longo dos anos, foram construindo as bases sólidas da empresa.

 

 

D. São, a funcionária mais antiga, apresentou-se “ao serviço” em 1986, ainda no Campo Grande, e garante que a chegada do novo CEO foi uma lufada de ar fresco.

 

 

“Estávamos parados no tempo, a vinda do senhor Pierre foi fundamental para a fábrica, trouxe um novo ânimo”, afirma.

 

 

Os tempos são outros, “há mais pressão”, garante D. São, mas a tradição ainda é o que era. Os métodos tradicionais de trabalho, que não dispensam o olhar e toque humano, mantêm-se nos dias de hoje e algumas das máquinas usadas na linha de produção respeitam as normas e técnicas de fabrico do início do século.

 

 

Esta “grande família”, como garante D. São, soube sobreviver às épocas de crise e encara o futuro com um sorriso nos lábios.

 

 

Quando as novas tendências não esquecem a tradição

 

 

O mundo está a mudar e os consumidores também. De acordo com a Global Cosmetic Industry, o mercado de beleza natural vai atingir, em 2025, os 23,5 mil milhões de euros, o que poderá significar uma mudança de paradigmas nesta indústria que, todos os anos, conquista mais adeptos.

 

 

Não esquecendo os novos consumidores e os desafios do setor, a Benamôr tem sabido acompanhar as tendências. Se os parabenos e petróleo já não fazem parte da conceção destes produtos, os ingredientes naturais, que já representam 90% da composição das fórmulas atuais, continuam a ser a grande aposta e fator diferenciador da marca.

 

 

Orgulhosamente portuguesa, com certeza, a Benamôr vai mais longe. “Nos próximos anos vamos continuar a apostar em produtos naturais feitos em Portugal.”, diz Pierre Stark.

 

 

Uma marca sem fronteiras

 

 

 

 

 

Hoje em dia, as compras online conquistam cada vez mais consumidores em todo o mundo e, só na Europa, os produtos de cosmética fazem parte do top 10 de produtos mais comprados através da Internet – de acordo com o estudo anual E-Shopper Barometer Report, de 2017, esta categoria de produtos representou 11% das vendas online.

 

 

Ciente do poder do digital, Pierre Stark prepara-se ainda para lançar o novo website e a primeira loja online da Benamôr.

 

“A dimensão digital da marca sempre foi fundamental para o desenvolvimento dos nossos produtos até porque sempre quisemos, em tempo real, obter o feedback dos nossos consumidores. Sendo a Benamôr uma marca global, lançaremos brevemente uma nova versão do site que contará, pela primeira vez, com uma loja online”, explica Pierre.

 

 

Para o CEO da Benamôr, esta aposta no digital é “fundamental para alavancar as vendas”, mas sobretudo para a divulgação da marca nos mercados internacionais.

 

 

Presente em 12 países, a Benamôr espera, a partir de agora, chegar a novos mercados e a uma nova geração de consumidores. Por enquanto, os números são animadores e parecem mostrar a vitalidade dos produtos e da estratégia delineada: até ao final deste ano a empresa espera faturar um milhão de euros, valores que deverão triplicar ao longo dos próximos anos.