Natal para toda a família
O Mercado de Natal é idealizado para toda a família. Dos 8 aos 80 todos têm um lugar especial
17 dez 2015, 16:00
/ Sara Vingadas
19 FOTOS: Mercado de Natal
Pelas ruas de Lisboa é já evidente o espírito natalício. As árvores da Avenida da Liberdade estão vestidas a rigor. Nas montras das pastelarias da baixa lisboeta, os doces típicos da festividade saltam à vista, e quando as portas se abrem é impossível não dizer “cheira a natal”. No Terreiro do Paço já podemos ver as habituais projeções, mas é a 3 minutos que fica o Mercado de Natal Jogos Santa Casa.
A Praça do Município é o palco desta segunda edição do mercado em Lisboa. Todos os dias das 12h às 23h, até 24 de Dezembro (dia em que o mercado encerra às 16h), podem ver-se concertos, sessões de showcooking, espectáculos para crianças, magia e artes circenses.
No mercado há luzes, efeitos, doces e salgados, pequenas lembranças, música e, claro, a lotaria de natal. Faltam exactamente dez dias para a celebração. É meio-dia, está na hora do Pai Natal ‘começar’ a festa.
Miguel Louro é uma das muitas pessoas que tem aqui o seu quiosque. “Vendo vinhos, enchidos, queijos, azeitonas, sandes, enfim… Produtos alentejanos da maior qualidade.” Podem contar-se pouco mais de 30 bancas de venda, que variam entre artesanato e gastronomia. No caso de Miguel, e de quem trabalha consigo, a experiência de estar no Mercado de Natal surgiu através de um convite da Cofina Eventos e dos Jogos Santa Casa.
Aceitaram a proposta com o intuito de “promover os produtos da nossa região, o Alentejo, e da nossa cidade, que é Estremoz”, explica Miguel. Considera que, principalmente para quem é de fora de Lisboa, esta é uma bela oportunidade para a divulgação de produtos típicos de determinadas regiões.
O comerciante alentejano afirma que trazer os seus produtos até à capital dá-lhes uma maior visibilidade, pois “é sempre importante estar numa cidade como Lisboa. Há que aproveitar estes convites.”
Quanto às vendas, diz que há uns dias melhores que outros. “No feriado de 8 de dezembro e no fim-de-semana foram dias bons”, conta. Quando o tempo fica mais fresco a afluência é menor, tendo em conta que o mercado é ao ar livre, mas considera que “no geral tem corrido bem.” Fez ainda prognósticos para o próximo ano: “se o convite for feito de novo, voltamos”. Se não for como convidado, Miguel Louro pensa candidatar-se.
A maioria dos comerciantes que se encontram na Praça do Município não foram convidados. “Uma vez que já houve uma primeira edição, os comerciantes têm conhecimento de que vai haver o Mercado de Natal e entram em contacto connosco”, explica Rita Cipriano, da organização.
São enviadas propostas por quem durante 16 dias considera esta praça a melhor montra para os seus produtos. Posteriormente são analisadas e selecionadas pela organização. Nenhum dos comerciantes paga para expor os seus produtos, bem como quem vem desfrutar da festa. “Nenhuma actividade neste recinto é paga, é tudo totalmente gratuito”, reforça Rita.
Além de encontrar-se prendas de última hora, pode ainda escrever-se uma mensagem natalícia, no Mural de Natal. A Casa do Pai Natal, a Fábrica dos Duendes, a Ilha das Guloseimas e o Carrossel parisiense fazem as delícias dos mais novos. “O meu filho vive aqui um ambiente de fantasia”, diz Helena Almeida, mãe de Guilherme, de 5 anos.
Confessa que até mesmo ela se deixa encantar. “No sábado vim ver a Cuca Roseta e agora este fim de semana penso que é o Salvador Sobral”, conta Helena. Fala dos concertos que todas as noites têm lugar no Mercado de Natal, pelas 21h30. “É otimo! Ao fim de semana tem peças de teatro para crianças, e os mimos estão cá todos dias. Dá para trazer a família toda”, realça com um tom divertido.
Há quem prefira o showcooking. Madalena tem 23 anos e vem aqui ver os chefes a cozinhar, normalmente de dois em dois dias. “Eu adoro cozinhar e então venho mais para ver essa vertente, mas acho que é um evento muito versátil. Tem várias coisas diferentes, dá para todos os gostos e não se paga”, relata efusivamente.
Carlitos e Tó são duas personagens que animam quem visita o mercado. Carlitos é baixo, gordinho e tem bigode. Tó é alto, magro e tem barba. Ambos usam camisa, calças de fato, boina e óculos, mas sem lentes. Trabalham para o quiosque dos Jogos Santa Casa, mas passeiam, divertidos, por todo o espaço. Todos os dias as personagens, interpretadas por diferentes equipas, tentam vender o maior número de lotarias, de natal e as populares.
“Quando o tempo está mau o ‘pessoal’ não quer comprar, quando está bom considera’, diz Carlitos, reforçando a importância do sol para o sucesso destes dias. Para Tó, as mulheres têm mais poder que os homens na hora de comprar, e Carlitos completa: “já se sabe que as mulheres são o sexo forte, os homens ficam para trás.” Dizem que os mais jovens não apostam muito na lotaria, e muitas vezes nem percebem bem como funciona. “A malta jovem gosta é de raspar!”, afirma Carlitos em tom de brincadeira, referindo-se às raspadinhas. Contudo, como o mercado tem grande afluência de pessoas, consideram que mesmo que não joguem na lotaria “compram sempre alguma coisa e veem os espectáculos”, adianta Carlitos.
O natal é para todos. Como tal o Mercado de Natal Jogos Santa Casa proporciona momentos em família, com programas que se enquadrem dos 8 aos 80. Vem o pai, a mãe, a avó, os tios, os primos, e até o cão lá de casa. Todos podem entrar, não precisa de ter ganho a lotaria. A porta está sempre aberta.