Conhecer Lisboa no sofá
Turista russa veio explorar Lisboa através do couchsurfing
Com o Rio Tejo a seus pés e a luz de Lisboa sobre a cabeça Julia reflete sobre a cidade menina e moça. Veio da Rússia para visitar Portugal pela primeira vez.
Foram os primos italianos que a convenceram a vir conhecer o jardim da Europa à beira-mar plantado. “Eles já conheciam Portugal. Costumam ir para aí fazer surf. Este ano trouxeram a filha e convidaram-me para ir com eles”, diz Julia.
Lorenzo e Bianca sempre que podem fogem de Génova e vêm até Lisboa. Este casal escolhe Portugal pelo sol e pelo mar, tal como 46% dos italianos que visitam Lisboa, segundo o inquérito da Comissão Europeia sobre a atitude dos europeus em relação ao turismo. Até ao ano passado fizeram parte dos 22% dos estrangeiros que vinham conhecer a capital em escapelas românticas. Em 2014 trouxeram a filha de 8 anos para que esta também pudesse conhecer as ondas portuguesas.
Veio “à boleia” dos primos mas decidiu ficar por mais tempo para conhecer melhor a cidade. “Enquanto estiveram aí ficámos alojados numa surfhouse, porque assim era mais fácil para eles. Depois quando se foram embora fiquei com o Pedro”, refere a turista russa.
Pedro é português, vive no Estoril e recebe vários couchsurfers em sua casa. A comunidade de couchsurfing já ultrapassou os 6 milhões de utilizadores em todo o mundo e está activa em mais de 100 mil cidades.
Julia entrou em contacto com Pedro antes de sair da Rússia e pela plataforma combinaram a sua estadia. “Combinámos tudo antes da Julia chegar a Portugal e depois ela ia dando novidades até nos termos encontrado”, conta Pedro.
“É uma boa forma de poupar dinheiro e de conhecer as pessoas locais. Sempre que viajo tento fazer couchsurf”, confessa Julia. Alojada em casa de um português conseguiu conhecer os recantos da zona de Lisboa que sozinha talvez não tivesse acesso. “Ele levou-me a conhecer Cascais, o Cabo da Roca, o castelo de São Jorge, a Belém e muitos outros sítios que não me lembro do nome”, confidencia.
Em Belém passaram pelos pastéis que à cidade dão o nome e o reconhecimento. E é também dos pastéis que Julia se lembra: “já tinha ouvido falar deles mas não pensava que fossem tão bons”. Como Pedro sabia que Julia tinha família italiana decidiu levá-la a conhecer os gelados Santini. “Fui com a Julia e com outra couchsurfer aos gelados e elas ficaram deliciadas, ainda hoje falam do gelado”, conta Pedro.
Das fotografias que partilhou nas redes sociais a que para Julia traduz melhor a essência de Lisboa é a que foi tirada no Castelo de São Jorge. No miradouro viu os sítios por onde passou durante a semana que esteve em Lisboa. Desde a Caparica onde foi surfar com os primos, passando pelo cais das colunas, a baixa pombalina e as escadas que teve que subir até chegar ao destino. “Apesar de cansativo a ‘escalada’ compensa pela vista única”, recorda.
Na estadia de Julia em Lisboa o principal guia e fotógrafo foi Pedro. O couchsurf apesar de gratuito tem como principal moeda de troca a simpatia e a curiosidade de quem recebe e de quem visita. Enquanto Julia explorou pela primeira vez os encantos e recantos de Lisboa, Pedro recordou as experiências que já passou nesses locais.
Julia pensa em regressar à cidade de Lisboa. Enquanto pensa na melhor altura para voltar a voar até ao nosso país, Pedro recebe outros turistas. Tal como Julia, vêm à procura de conhecer Lisboa por dentro, pelos olhos de quem por cá vive. Durante o entretanto em que uns partem e outros regressam, o jardim permanece plantado à espera de quem o visite e conheça as suas flores.