Confiamos nos jornalistas?
O que diferencia um jornal do outro? É preciso melhorar o jornalismo em Portugal? Fomos para a rua fazer estas e outras perguntas para saber o que pensam as pessoas dos jornalistas e do jornalismo português.
A falta de credibilidade do jornalismo é uma preocupação que atravessa gerações. A estudante Joana Sousa, 19 anos, sente necessidade de verificar a informação que recebe. Gonçalo Silva concorda. O estudante de arquitetura dá o exemplo das campanhas eleitorais. “Há coisas que parecem duvidosas. Muitos telejornais estão virados para determinado candidato.” António Sousa, de 80 anos, não poupa nas críticas: “É sempre a mesma coisa, vira o disco e toca o mesmo. […] É sempre igual.”
“Desconfio muito da veracidade das noticias e da forma de fazer jornalismo”, critica o vigilante Luis Pêra, 54 anos. Essa perceção é partilhada por várias das pessoas ouvidas.
É tudo igual?
Outro ponto que parece consensual entre as gerações é o conteúdo. A perceção é de que a informação se repete nos vários meios de comunicação social.
O porteiro Carlos Pereira é prático: “Pouco divergem uns dos outros. Portanto, tem que ser mesmo credível, senão estavam todos a mentir.”
Factos versus opinião
A maioria acha que os jornalistas misturam factos e opiniões. Isso afeta a credibilidade das notícias, considera a professora universitária Joana Miranda.
“Há artigos de opinião e outra coisa é uma notícia. A notícia não deve ser uma opinião. Deve ser verdadeira. Eu acho que isto é misturado e, na maior parte das vezes, não é feito com responsabilidade. Não existe uma investigação séria para confirmar se a informação é verdade. E depois [os jornalistas] perdem credibilidade”, remata.
De que jornalista se lembra?
Os pivôs ganham em popularidade. Judite Sousa é o nome na boca das pessoas. José Rodrigues dos Santos e Rodrigo Guedes de Carvalho também são conhecidos do público.
Na imprensa é mais difícil. No entanto, há quem se lembre de alguns. Isabel Stilwell e Pedro Ribeiro são alguns dos nomes mencionados.
Nem tudo é mau
O jornalismo português também merece alguns elogios. O comerciante Álvaro Teixeira acha que hoje se faz melhor jornalismo do que no passado. “Os jornalistas estão a descobrir mais coisas”, acredita, sublinhando a importância da investigação.
“O jornalismo tem um efeito muito grande. Ou seja, devia ser feito com muito mais responsabilidade do que é feito.” - nas palavras de Joana Miranda fica clara a importância do jornalismo numa sociedade democrática.
No final, fica a ideia de que o jornalismo precisa de se aproximar do público e assumir a sua responsabilidade que anda de mão dada com a liberdade de imprensa.