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Marégrafo de Cascais: Regista os mistérios do mar

O único marégrafo de Borrel a funcionar em todo o Mundo

3 dez 2015, 21:47 / Elisabete Eugénio
Marégrafo de Cascais

 

O Vigilante da costa portuguesa...


À beira-mar plantado encontramos o Marégrafo de Cascais, o único sistema de Borrel a funcionar em todo o Mundo. Connosco esteve José Campos, técnico da direção geral do território (DGT) e responsável pelo marégrafo, que contou toda a história deste instrumento, como funciona e muitas outras curiosidades.

Construção do século XIX, o edifício do Marégrafo de Cascais apresenta uma típica arquitetura civil oitocentista. No seu interior, encontra-se o marégrafo, um sistema mecânico com base em bóias, rodas dentadas e um mecanismo de relógio que serve para medir as marés.

Este instrumento foi um dos primeiros observatórios europeus para o estudo das correntes e marés e ainda hoje, após 133 anos da sua instalação, se encontra em funcionamento.

O primeiro marégrafo de cascais foi instalado em 1882, na rocha a este da fortaleza da cidadela, tendo mudado para o local atual (a cerca de 30 metros) a 23 de agosto de 1900.

Com um enquadramento urbano destacado na zona ribeirinha, o marégrafo encontra-se na extremidade de uma plataforma, perpendicular à costa e à alameda contígua à Cidadela de Nossa Senhora da Luz, a sudoeste da enseada de Cascais, junto ao edifício sede do Clube Naval de Cascais. 

O Marégrafo de Cascais está hoje classificado como imóvel de interesse público, José Campos sublinhou "é um instrumento histórico...o vigilante da costa portuguesa". O sistema foi construído em 1877 por A. Borrel, em paris. 

O Inventor: Amédée-Philippe Borrel 

Um relojoeiro parisiense, nasceu em 1818, ficou conhecido por várias invenções relacionadas com os relógios de edifícios, nomeadamente a construção do relógio existente na Torre da Universidade de Coimbra, em 1866, conhecido por "Cabra", ainda em funcionamento.

Borrel adaptou o seu conhecimento sobre o mecanismo dos relógios ao sistema flutuador de registo do nível da água e assim inventou o marégrafo.

“Neste momento podemos dizer que estamos a pisar o zero da cartografia portuguesa”
 

A longevidade e qualidade de dados do Marégrafo de Cascais permitem avaliar o movimento vertical relativo das massas oceânicas, que, segundo José Campos, se traduzem numa subida do nível médio dos oceanos de cerca de 15 a 20 centímetros desde o início da sua utilização (1882). Dados importantes numa altura em que o tema do aquecimento global está em grande destaque. Até 2100 prevê-se que o nível do mar vai subir um metro.




A função mais importante deste equipamento tem sido a de permitir estabelecer vários referenciais altimétricos temporais, possibilitando assim a utilização do zero altimétrico, ou seja, é em Cascais que é determinado o zero (0) de altura, mais conhecido por altura do nível do mar.
 


 
Os dados recolhidos no Marégrafo de Cascais são tão importantes, que são fornecidos há mais de 120 anos ao PSMSL ( Permanent Service for Mean Sea Level), situado no Reino Unido, que os utiliza à escala mundial.

Como funciona o Marégrafo?

Não é fácil medir o nível médio das águas do mar, pois estão sempre em movimento. Oscilam de forma irregular com as ondas, os ventos, as correntes e as marés. Imagine, enquanto olha para as ondas do mar, o que seria necessário para medir o nível médio das águas. Em primeiro lugar, teria de eliminar as oscilações rápidas. Em seguida, tinha de obter registos longos. E por fim, fazer contas. Para possibilitar todo o processo  A. Borrel inventou o marégrafo.

Os marégrafos de mecanismo analógico, têm bóias ligadas a um registo, onde um rolo de papel que roda lentamente num tambor (dá uma volta completa diariamente e marca as duas marés). O ritmo é marcado por um relógio (de corda) e o mecanismo regista com uma caneta na quadricula de papel o nível da bóia. Esta flutua no poço e tem de ficar sempre em contacto com a água do mar. 

Para saber mais sobre o Marégrafo de Cascais e conhecer toda a história deste instrumento, marque uma visita e usufrua também da bela paisagem da Vila de Cascais.