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Um "Pequeno Jardim" virado para o futuro

Na Rua Garrett, numa Lisboa cheia de turistas, encontramos um pequeno paraíso onde as plantas são rainhas. A florista Pequeno Jardim, que já conta com quase 100 anos de história, casa o passado com as novas tecnologias, as flores com as ervas aromáticas e os habitantes locais com os turistas.

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Um "Pequeno Jardim" virado para o futuro

12 nov 2018, 00:00

Entrámos na Pequeno Jardim e fomos recebidas por Elisabete Monteiro, a atual dona desta conceituada loja lisboeta, que já conta com quase um século de história. Num edifício que remonta ao final do século XIX, esta florista está inserida na entrada de um prédio, sendo ainda uma das poucas lojas de vão de escada.

 

Os primeiros registos são de 1922, mas pouco se sabe sobre a sua origem. Há quem fale que foi um francês, apaixonado pela capital portuguesa, que decidiu abrir um Petit Jardin e instalar-se no Chiado. O nome foi passando de geração em geração e, 96 anos depois, esta Loja com História já é uma marca na cidade de Lisboa e na vida dos seus clientes.

 

Houve um caso de uns senhores, já com bastante idade, que vieram cá comprar umas flores no dia em que faziam 50 anos de casados e que tinham também levado daqui o ramo da noiva e passados os 50 anos vieram cá”, conta Elisabete Monteiro.

 

O espaço da loja é pequeno, as funcionárias, quase todas mulheres, atropelam-se para dar resposta a todo o trabalho que têm. Percebemos que este é um negócio que, apesar da idade, está longe do seu fim. Sobre os clientes, sabemos que se misturam entre o público mais jovem, que faz encomendas através das redes sociais, os fregueses da zona que já conhecem quem ali trabalha e os turistas que se passeiam pela zona histórica de Lisboa.

 

Como estamos numa zona de passagem, muito mista, temos todos o tipo de clientela. Temos desde pessoas bastante jovens a pessoas já mais antigas que já conhecem a casa há muitos anos. Neste momento temos bastantes turistas. Temos muitos estrangeiros, que estão aqui a residir nesta zona, que se tornaram clientes habituais.”, explica a proprietária.

 

Numa loja de clientes apaixonados, as histórias que por ali passam são imensas. Desde turistas que veem a Lisboa pedir a cara metade em casamento, a casais que já celebram juntos muitos anos. Um dos grandes alvos de negócio são as festas e os casamentos, numa loja onde todos os produtos são personalizados, ao gosto de cada um.

 

 Às vezes temos, por exemplo, clientes que durante uma semana inteira pedem-nos para fazer uma entrega regular, todos os dias, à mesma pessoa, aquele tipo de artigo sempre.”, afirma a florista.

 

Na Pequeno Jardim as rosas são as rainhas. Segundo a proprietária, são as mais pedidas pelos clientes, no entanto, a mesma reconhece que o mercado começa a mudar. No último ano houve uma procura crescente por produtos naturais, pelas ervas aromáticas e pelas sementes.

 

 

Quando questionada sobre o futuro do negócio percebemos o verdadeiro impacto do turismo. Segundo a proprietária os turistas tornaram-se clientes regulares, contribuindo assim para a continuação da loja. Porém, Elisabete Monteiro refere que perderam alguns clientes portugueses que se viram obrigados a abandonar o Chiado. Quanto a novas apostas e a projetos futuros estes passam maioritariamente pela internet e pelas redes sociais.

 

Neste momento recebemos pedidos por todo o tipo de plataformas (por email, pelo Instagram, pelo Facebook). [...] Estamos em plataformas onde outros países nos contactam. [...] Queremos criar uma loja online, que neste momento ainda não temos, queremos criar a nossa loja online. Eventualmente, abrir mais lojas, criar outros nichos de mercado que possam ter a ver com as flores.”, remata Elisabete Monteiro.

 

A Pequeno Jardim é assim uma loja onde a tradição portuguesa e as flores casam na perfeição. A verdade é que é impossível passar por lá e ficar indiferente. Por isso, da próxima vez que lá for, arrisque. Seja para tirar uma fotografia para as redes sociais ou para pedir alguém em casamento.