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Mais que recordar, agora pode “carimbar” Lisboa

O Lisboa Passport é um guia para quem quer conhecer a capital de uma forma diferente e ter dela uma recordação única.

31 out 2016, 15:49 Carolina Brás
Lisboa Passport: Uma nova forma de recordar Lisboa

Um passaporte semelhante ao de identidade mas exclusivamente para Lisboa. O objetivo é preenche-lo com os carimbos dos monumentos e experiências da cidade. Poderá também escrever, desenhar ou juntar fotografias. É um diário de viagem personalizado ao gosto de cada um.

 

À entrada da Sé de Lisboa, Nuno Martins, criador deste novo “documento”, demonstra o encanto por Lisboa e pelo seu projeto.
Aliando a ideia de uma recordação que não consegue deitar fora, a caderneta de carimbos da expo ’98, com a vontade de ter mais do que fotografias ou lembranças das lojas típicas da cidade, surge o Lisboa Passport.

 

O conceito é muito simples: Um livro de bolso amarelo, pequeno e fácil de transportar, em que pode reunir lembranças, pensamentos e marcas de tudo o que viver na capital.

 

Existem 28 carimbos, até agora, e cada um deles diz respeito a um símbolo da cidade, seja um monumento ou uma experiência.
Depois de entrar na famosa Sé de Lisboa, e de sentir toda a sua imponência, basta dirigir-se às informações da igreja com o passaporte na mão. Abre-o em qualquer uma das páginas, das 32 existentes, e depois de carimbada a pequena recordação é altura de poder acrescentar nele todo o tipo de memórias que quiser. Em todos os monumentos ou museus grátis o processo é o mesmo. Nuno Martins afirma que “a essência de carimbar a experiência está em vivê-la”. Chegar a todos os tipos de clientes é um objetivo e, como tal, mesmo em alguns locais pagos é possível obter o carimbo nas receções ou lojas sem que seja necessário o custo da entrada.

 

 “Até mesmo a mancha de café numa página do passaporte é uma recordação”

 

Já no largo da Sé, e depois de descer a rua inundada de Tuk-Tuks, Nuno Martins apresenta uma das experiências possíveis de carimbar, e das que mais gosta, a da fonte de Santo António. Perante os olhares diários de quem passa pelo largo, este santo segura um livro numa das mãos. Lançar-lhe uma moeda e acertar nas suas páginas é a intenção. Se tal acontecer é sinal que o casamento estará para breve. Após conhecermos o futuro, dirigimo-nos à bilheteira do museu de Santo António e carimbamos a experiência.


O castelo de São Jorge, o museu do Fado e o santuário do Cristo Rei, entre muitos outros, também têm os seus carimbos. Bairros e freguesias como Alfama ou Belém não ficaram esquecidos. Nestes casos, as recordações situam-se em lojas ou quiosques. O Hard Rock e a famosa ginginha, assim como o elétrico 28 e o estádio da Luz, também não são postos de lado e podem ser marcados no Lisboa Passport.

 

 

Este livrinho de recordações começa com uma breve explicação sobre a forma como podemos usufruir dele o melhor possível. A segunda página é pensada para que cada pessoa a possa preencher com os seus dados pessoais.
Ao longo das restantes 32 páginas os titulares do passaporte lisboeta podem conhecer, em cada uma delas, um pouco da história da cidade. O fundo, em “marca de água”, apresenta-nos os seus mais marcantes acontecimentos. Desde a Lisboa Islâmica até ao Parque das Nações em 2015, passando pelo terramoto que destruiu a baixa da cidade e o nascimento do fado, todas elas apresentam um desenho único.

 

À semelhança do que acontece com as ilustrações de fundo, os carimbos de cor preta têm um design único e pensado pela empresa.
Não é só a gravura que conta. Para Nuno Martins o pormenor das duas riscas, que cada desenho apresenta, é bastante importante. Estas foram concebidas para que o turista escreva a data em que cada experiência foi vivida.

 

Nas últimas páginas é possível ter acesso ao mapa dos locais onde se podem encontrar os 17 carimbos mais importantes, com a rede de metro e comboio.

 

Associado ao pequeno passaporte, os visitantes têm também direito a diversas promoções. Para usufruírem da redução de preços e de outras vantagens o nome do turista deve estar legivelmente escrito na página de identificação e ser apresentado junto com o documento de identidade. No leque de descontos do Lisboa Passport destacam-se as experiências gastronómicas, as viagens em carros turísticos (tours) ou passeios de bicicleta. 

 

Dependendo do tipo de turismo, e das preferências de cada um, a componente social pode ser importante. O projeto de Nuno Martins não esquece isso. O “Ponto de Encontro” é um café perto da estação de comboios dos Restauradores, Wine & Pisco. Foi pensado com o intuito de ser um espaço onde cada pessoa pode partilhar as suas experiências, conhecer outras pessoas, e relaxar depois de um dia na capital.

 

 

Uma ideia que surge do desemprego

 

Pelas movimentadas e barulhentas ruas da baixa de Lisboa, entre os elétricos lotados e a calçada Lisboeta, Nuno Martins explica o porque do nascimento deste pequeno livro de bolso.
O gerente da Lisboa Passport dedicou toda a sua vida à informática até ser despedido da multinacional onde trabalhava. Quando isso aconteceu decidiu fazer uma das coisas que mais gosta, viajar.

 

“Fazer a mesma coisa a vida inteira não é para mim” afirma Nuno.


Depois de fazer um interrail, uma experiência que confessou enriquecedora e diferente para a sua idade, percebeu que faltava alguma recordação (além de todas as que poderia comprar ou capturar). As lembranças físicas, alusivas à cultura ou símbolos das várias cidades ou países, não tinham uma componente tão intemporal quanto desejava. Nada é tão completo como viver uma nova experiência e conseguir recordá-la de uma forma única.

 

Nuno Martins explica esta sua forma de pensar, e o quanto sentido acredita fazer a sua ideia, com o que acontecia com os passaportes antigos. Conta que, antigamente, os turistas eram obrigados a entregar o seu passaporte para puderem fazer um novo. “Era nessa altura que, “acidentalmente”, o perdiam”. Para ele, a razão está em não quererem entregar o documento que lhes fazia lembrar tudo o que tinham viajado ao longo da sua vida. Não queriam ficar sem o que mais memórias de vida lhes trazia. Aquele pequeno livro era mais do que as “bugigangas” que se deitam fora ao final de um tempo.
 

A Startup Lisboa, incubadora de empresas em fase inicial na qual a Lisboa Passport se insere, está sediada na rua da Prata. É num edifício antigo por fora mas moderno por dentro, onde as formalidades ficam à porta - mais propriamente no gravatório - que Nuno Martins, rodeado de frases motivadoras escritas na parede e de um ambiente jovem, explica que este pequeno passaporte foi concebido para chegar a todo o tipo de públicos. Dos mais velhos aos mais novos, famílias ou singulares, estrangeiros ou portugueses, todos podem guardar esta recordação que ficará para sempre.


As redes sociais são a forma que encontra para chegar aos seus clientes. É através delas que partilha as novidades, mudanças e fotografias da cidade.
A mais recente publicação feita na página de Facebook é alusiva à apresentação do novo carimbo, o Palácio de Belém. Também a própria página da Lisboa Passport está direcionada para todos os seus clientes, podendo inclusivamente ser lida em Inglês.

 

O encanto dos carimbos

 

Os custos da elaboração de cada carimbo são elevados mas o novo empresário afirma feliz que “é um investimento que vale muito a pena”. Cada carimbo é único e é como uma pequena obra de arte. O lançamento faz-se no facebook e na página, mas não só.
Nuno reforça, mais uma vez, a diferença do seu projeto afirmando que procura uma forma impar de apresentar cada carimbo.
Nos monumentos pagos, exemplifica, as primeiras 10 pessoas a apresentarem o passaporte têm direito à entrada grátis – e claro, ao carimbo. Usufruem da experiência gratuitamente e são as primeiras a ter a pequena obra de arte no seu passaporte pessoal.

 

O recente empreendedor afirma, sem divulgar quais as novidades que se esperam, que existe um número de carimbos que querem atingir até ao final do ano. Do pouco que adiantou [sorrindo], estes representarão os que são considerados “ex-líbris” de Lisboa e uma surpresa: a vila de Sintra. Quem visita a capital tem que, obrigatoriamente, conhecer a vila onde se situa o Palácio da Pena e onde se podem comer as que são consideradas como as melhores queijadas.  

 

Dos azulejos portugueses às típicas sardinhas de Lisboa, o passaporte está repleto de símbolos e história da cidade. Esta é a recordação perfeita de Lisboa.

 

Ainda sentado no hall da Startup Lisboa, e no meio de uma atmosfera descontraída e confortável, Nuno relembra a inauguração do projeto.

 

Embora o produto tenha sido lançado como teste em Junho de 2015, e depois de perceberem que os turistas respondiam bem ao produto, foi oficialmente apresentado no início deste ano.
No dia da divulgação oficial foram convidados alguns jornalistas e oferecido a cada um deles um passaporte. Os Tuk-Tuk foram responsáveis por levá-los aos sítios onde puderam carimbar o seu novo documento com o máximo de experiências possíveis.
É com satisfação e orgulho que Nuno recorda esse dia.

 

Aquilo que os jornalistas fizeram em poucas horas, é o proposto para os turistas durante a sua viagem.
Em termos de público-alvo, Nuno reforça que nem todos os clientes da empresa são estrangeiros. Metade são portugueses. Até mesmo os alfacinhas têm agora uma razão para sentir e conhecer melhor a sua cidade. Ter o objetivo de carimbar tudo quanto possível faz com que as pessoas saiam de casa e vivam sensações e experiências diferentes.

 

Depois de questionado sobre o porque de Lisboa e não do Porto, Nuno Martins responde risonho que, para ele, só Lisboa faria sentido. Embora viva em Almada reconhece, na cidade situada do outro lado do rio, um mundo de oportunidades e riquezas patrimoniais por descobrir.

 

Em 2015, Lisboa foi a 14º cidade mais visitada na Europa e a 37º em termos mundiais. A tendência é para que estas posições sejam cada vez mais altas. Isto comprova que a cidade é uma das mais procuradas pelos turistas. Esta questão é também bastante importante para o novo empresário que vê na capital o foco do seu negócio.

 

É com orgulho e entusiasmo que conta que já existem escolas a aderirem a este passaporte, seja só para aumentar a curiosidade dos alunos seja para classificar os alunos.
Uma turma do primeiro ciclo, em Lisboa, utiliza o Lisboa Passport como meio de avaliação. Os alunos têm como objetivo conseguir um determinado número de carimbos e a escrita descritiva do que sentiram e viram. O alcançar destas metas conta para a nota final de todos os alunos.

 


 

O Lisboa Passport tem o custo de 6€ nas lojas físicas e mais dois se for encomendado pelo site.

 

Não há formas iguais de sentir uma cidade. Não há duas experiências iguais e, como tal, não há dois passaportes iguais. Este documento irá sempre ser único. Tão único quanto a pessoa que o transporta. Depois da página carimbada e da experiência vivida o turista pode caraterizar o seu livrinho de bolso como quiser. O Lisboa Passport promete mudar a forma como recordamos a capital à beira Tejo.