Turistas unem Lisboa à Europa
Todos os dias a zona histórica de Lisboa enche-se de turistas. Explorar a cidade e estabelecer uma ligação com a Europa são algumas das razões que os trazem cá.
17 dez 2015, 18:19
/ Beatriz Vasconcelos
Já imaginou uma ponte que liga Lisboa ao resto da Europa? É algo utópico, mas esta cidade é o ponto de partida para muitos turistas explorarem o continente. É o caso de Aline Vön Med. Veio de São Paulo, é designer e escritora, e pretende conhecer a Europa a partir de Lisboa.
Portugal está na moda. Não são só os dados estatísticos da hotelaria que nos mostram isso, mas também os próprios turistas. Muitos vêm de passagem, outros apaixonam-se e acabam por ficar. Aline está em Portugal há cerca de sete meses, veio para viajar, mas um amor português fê-la prolongar a sua estadia. Prefere Lisboa durante a noite, mas é durante o dia que descobre a sua história e cultura. “É uma cidade transformista e bipolar. Durante o dia uma um pouco frenética e comum. Ao pôr do sol transforma-se numa linda cigana toda enfeitada e pronta para a dança”, afirma.
Debaixo do sol lisboeta e no elétrico 15, Aline encontrou o Padrão dos Descobrimentos, o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém. A jovem brasileira tem um canal na rede social YouTube, onde partilha com os seus seguidores a experiência na capital. O que seria de uma visita a Belém sem um pastel de nata? Quase como ir a Roma e não ver o papa. “Nossa! Tanta gente” – foi o primeiro comentário de Aline dada a quantidade de pessoas que ali vão provar a fusão do creme com canela e envolvido numa estaladiça massa folhada. É a delícia dos milhares de turistas que por ali passam todos os dias.
Os dias passam, mas a designer não se fica por Cascais, local onde está alojada. Visita com frequência o centro de Lisboa e descobre que a capital não se resume aos monumentos, ao Castelo de São Jorge ou à baixa pombalina. “Lisboa menina e moça”, já cantava Carlos do Carmo, distingue-se pelo sabor; pela naturalidade dos seus miradouros; pelo cheiro das ruas – ou nunca se apercebeu que o Terreiro do Paço tem um cheiro diferente do Marquês de Pombal? – e pela luz; que Aline descreve como “amarelo ouro, ligeiramente desbotado e sombreado”, misturado com “um ar vintage de uma senhora antiga”.
Na baixa pombalina faz-se cultura. Em cada esquina há um mundo novo para explorar e a jovem brasileira depressa se lança à descoberta pelo museu a céu aberto com 21 reproduções de quadros que pertencem ao Museu Nacional de Arte Antiga. Pelo Chiado soa um fado antigo. Amália Rodrigues canta aquelas ruas e pela calçada fora esconde-se o sol e Lisboa ganha uma nova vida: “noturna e poética”, explica Aline, que prefere a capital “a partir do pôr do sol, porque fica muito mais charmosa e única”.
O Largo de Camões começa a encher-se. A correria de uma vida citadina acalma e as pessoas aproveitam a escadaria da estátua para se sentarem e, por esta altura, apreciarem os enfeites que nos lembram o Natal. Talvez o próximo destino seja o tão aclamado Bairro Alto, onde músicas se entranham nos ouvidos a cada passo que se dá. O certo é que, para quem é turista em Lisboa, “a pitoresca vida noturna corre pelas veias de toda a cidade”, explica Aline.
Para os turistas brasileiros, a qualidade de vida em Lisboa é um dos pontos-chave para permanecerem em território português durante mais tempo. Aline Von Med afirma que aqui pode “fazer caminhadas, por exemplo” porque sente-se “sempre segura”. E não é a única. Também Karine Candeias, que viajou de São Paulo, diz que “Lisboa está associada a um sentimento: paz! Para mim, que vim de uma cidade do Brasil, tão cheia de gente, trânsito, correria e violência”. É esta a avaliação de Karine face à tranquilidade e segurança Lisboa transmite.
Parece que é essa tranquilidade que muitos turistas veem na capital de Portugal - o que para nós pode parecer estranho. Daqui levam relatos, amizades e lembranças que não vão em máquinas fotográficas ou em smartphones; recordações que não cabem na hashtag #holidaysinlisbon ; vão com os órgãos sensoriais. Levam o cheiro, o sabor, o ar fresco dos miradouros e o Tejo, que os admira no Terreiro do Paço e depressa segue, como eles, com a sua viagem.