De Marta para o mundo
A juventude e a falta de experiência não impediram Marta Baeta de fundar um projeto que ajuda crianças necessitadas do Quénia. Foi uma aventura e é, ainda, um desafio que Marta enfrenta diariamente.
1 mai 2015, 23:47
/ AE
Marta Baeta tem 26 anos. No auge da juventude, e com poucas primaveras, Marta já fez algo que muitos anseiam fazer toda vida: mudou o mundo. Se não o mudou completamente, mudou o de quem mais importa. Do futuro. As crianças de Kibera, crianças que sem ela não teriam educação, alimentação ou saúde asseguradas que o digam.
Em 2012, com a AIESEC, uma organização de voluntariado e estágios profissionais internacionais, Marta Baeta foi para o Quénia. Trabalhou como voluntária na maior favela do mundo - Kibera tem cerca de 2,5 milhões de habitantes - e conheceu as crianças que, por pura inocência, mudariam a sua vida. Foi o início do projeto «From Kibera with Love».
«Sempre achei que podia mudar o mundo. Agora não acredito em nada disso. Eu só posso mudar o mundo das pessoas com que me relaciono e com quem me cruzo», disse Marta Baeta.
O teu projeto começou graças ao voluntariado da AIESEC?
Sim, foi depois de fazer três meses de voluntariado através da AIESEC no Quénia. Percebi que podia realmente, com a ajuda de outras pessoas, fazer a diferença na vida destas crianças e fui, aos poucos fazendo cada vez mais e ajudando cada vez mais. Assim ganhou a dimensão que tem hoje.
No que consistia o voluntariado com as crianças?
Eu inicialmente ia só dar-lhes aulas, mas depois percebi que havia uma enorme dificuldade para isso porque eles eram muito pequeninos e a barreira da língua era gigante. Então comecei por também ocupá-las nos tempos livres, ficar responsável pela alimentação delas, pela higiene, cuidados básicos de saúde. Foi o início.
E como é que o projeto cresceu?
Antes de me vir embora coloquei 16 crianças numa escola, graças às pessoas que me foram ajudando. Cada criança tinha um padrinho, que pagava pela educação. Depois voltei para lá, passado uns meses, para ver se estava tudo bem. A partir daí fui mais vezes. Fui cuidando de mais crianças, comecei a conseguir dar-lhes outras coisas, para além da educação. Agora também dou apoio a nível médico, alimentação, vestuário, calçado. Vai crescendo cada vez mais.
Como encontraste as primeiras crianças?
Elas frequentavam a escola onde eu fiz voluntariado com a AIESEC. Quando os três meses passaram eu fui-me embora, voltei e comecei a trabalhar sozinha com eles. Durante os três meses, enquanto era voluntária, angariei dinheiro para meter as crianças na escola.
Depois vieram os irmãos mais novos, mais velhos, primos, vizinhos, conhecidos e os que ouviram falar de mim. Não houve propriamente um critério.
Começaste com 16 crianças. Quantas tens agora sob teu encargo?
Sessenta.
Não tinhas irmãos e de repente és a irmã mais velha de 60 miúdos.
Sim. Eu pego neles e faço muitas coisas com eles.
Na altura das férias, em que os meninos estão comigo 24 horas há uma série de atividades com eles e dou-lhes aulas, porque alugo uma escola. Eu vou às escolas todos os dias, vejo o que se passa, vou visitar os pais, as famílias, vou comprar coisas para começar um negócio com alguma das mães, vou aos médicos, porque há sempre miúdos doentes.
Eu abdiquei de tudo para isto. Agora é a minha vida normal.
Quem te tem apoiado mais neste projeto?
São as pessoas individualmente.
Individualmente como cada pessoa que apadrinha uma criança?
Sim, há os apadrinhamentos que garantem só a educação das crianças. Depois algumas pessoas se identificam com o projeto e querem ajudar. Respondem aos meus pedidos de apoio.
Mas quem são essas pessoas?
Inicialmente eram só as pessoas que eu conhecia no Facebook, os meus familiares e amigos. Agora é a nível mais do que nacional. Recebo apoios de pessoas de vários países. A escala já está um bocadinho grande.
Que tipo de donativos recebes de quem quer ajudar? Apenas monetários?
Monetários e de bens. Eu coloco no Facebook as coisas de que mais preciso. Bens e medicamentos, material escolar, produtos de higiene, etc, conforme o que vou vendo que faz mais falta na altura.
Quando olhas para trás o que sentes com isto tudo?
Bem, mudei imenso desde que isto começou. Também porque me dediquei a isto totalmente. Tenho bem noção que sozinha era impossível fazer isto tudo porque as pessoas são realmente fundamentais nisto e ajudam imenso. Acho que é isso, fundamentalmente, que eu tiro deste projeto. As pessoas são boas. As pessoas são muito solidárias e já perceberam que juntos conseguimos fazer a diferença.
Sentes-te realizada?
Sinto, mas ainda não o suficiente.
O que falta?
Ainda falta tanto. Vou sentir-me realmente realizada quando a primeira destas crianças for para a universidade. Aí sentirei mesmo que este é um dever cumprido.
A criança mais nova tem quantos anos?
3, mas agora há uma bebé com nove meses chamada Marta Baeta.
Vais acompanhar também a educação desse bebé até à universidade? É o objetivo do projeto?
Sim.
E consegues aceitar mais crianças neste momento?
Não, eu não quero aceitar mais crianças neste momento. Porque a ideia não é simplesmente dar-lhes acesso à educação. A maior parte destas crianças está em escolas bastante boas de Nairobi, o que tem um preço mais elevado, claro. Eu quero que isto continue uma coisa mais familiar. Eu gosto de saber o primeiro e último nome de cada um deles. Neste momento quando oiço um choro eu sei quem está a chorar, quando oiço um riso eu sei quem está a rir. Sei perfeitamente como eles reagem a tudo. Quero manter isso assim.
Não tens medo que o projeto se encerre nestas sessenta crianças e que outras percam oportunidades?
Não, porque eu quero fazer um trabalho bem feito, mesmo que seja pequeno.
E como conseguiste pôr estas crianças nas escolas?
Estas escolas são escolas em condições. Faz-se uma entrevista, vê-se para que ano a criança teoricamente tem de ir, e depois pago a escola. As escolas não estão envolvidas no projeto.
Tens tido reconhecimento ou algum apoio no Quénia?
Não, no Quénia não.
Como é que eles te encaram no Quénia?
Como dinheiro. Eles acham que todas as pessoas brancas têm muito dinheiro, então só se relacionam contigo com esperança de receber algo em troca.
Como é a tua relação com as pessoas do Quénia?
A relação com os pais dos meus miúdos, de forma geral, é boa. E também não me relaciono com muitas mais pessoas lá, porque não me interessa. Já percebi como as coisas funcionam.
É difícil. Vale a pena?
Vale.
Porquê?
Por eles. Sei que estou a mudar a vida deles.
Como achas que seria a vida deles sem ti?
A maioria já não estaria a estudar neste momento, porque no Quénia não há escolaridade obrigatória. E certamente muitos teriam ido por caminhos errados.
Viste muitas crianças a irem por caminhos errados no Quénia?
Sim.
Qual é a media de idades dos teus meninos?
Entre os 7 e os 9 anos.
E o que a maiorias das crianças entre os 7 e os 9 anos faz no Quénia?
Vão buscar água, lavam roupa, procuram lixo na rua para venderem ou para comerem ou para brincarem, cheiram cola e não dormem em casa, os que têm casa.
Os teus pais apoiam-te?
Agora sim. Até há um ano não. A minha mãe, há cerca de um ano, começou a perceber que era isto que eu queria para sempre. O meu pai demorou mais tempo, mas já me apoia.
Como ias para o Quénia sem o apoio deles?
Sou maior de idade e ia por minha conta. Nunca lhes pedi dinheiro. Sempre juntei dinheiro para ir, sempre vendi coisas e algumas pessoas ajudavam.
Agora com que frequência vais para o Quénia?
Depende. Às vezes 4 vezes por ano. Às vezes fico lá mais tempo às vezes não posso. Depende muito da minha agenda.
Tens residência lá?
Não, normalmente alugo uma casa ou um quarto ou uma cama ou fico em casa de amigos.
Achas que consegues sobreviver e manter-te com este projeto?
Até agora tem dado. No futuro logo se vê.
Como é que esta experiência te mudou?
Fiquei mais madura. Já aceito qualquer coisa praticamente, agora tenho uma grande capacidade de aceitação. Aprendi a organizar-me mais.
Qual foi a tua maior dificuldade ao longo do projeto?
Organizar-me no meio disto tudo. Organizar o projeto, responder às pessoas, chegar aos meios de comunicação social, pedir ajuda pelo Facebook, estar nos eventos, etc. Conciliar tudo no fundo.
E como foi iniciar um projeto destes num sítio completamente diferente aos 23 anos?
Foi muito difícil por causa do choque cultural. O choque foi gigante em todos os aspetos. Desde os hábitos, as coisas normais que fazemos todos os dias, às questões de família, cultura, casamento.
No Quénia, por exemplo, as pessoas não demonstram afeto, nem em casa, praticamente, entre filhos, pais, namorados. Nada. Não há afeto, não há darem a mão. Não há uma demonstração de carinho, nada. É uma coisa que não nos passa pela cabeça. Nós beijamos os nossos namorados e pais na rua, lá não. Um abraço lá é uma loucura e é uma coisa mínima.
Porque quiseste ir fazer voluntariado no Quénia?
Eu estava disposta a ir para qualquer lugar do mundo, mas percebi que queria África. Decidi trabalhar com algo relacionado com crianças pequeninas para não me relacionar tanto com elas, pensava eu. Depois comecei a ver Kibera, Kibera. Fui à net ver o que era Kibera, vi que era a maior favela do mundo, e pronto. Decidi Kibera.
O que dirias aos jovens que querem fazer alguma diferença?
Para irem atrás dos vossos sonhos, independentemente de eles parecerem loucos e absurdos e completamente diferentes de toda a realidade que vocês conhecem, e que acham que é a correta e a que devem seguir.
Era um sonho?
Não necessariamente. Foi algo que foi surgindo com o tempo. Nunca pensei gostar destas crianças como aconteceu.
Por: Ana Ernesto
Em 2012, com a AIESEC, uma organização de voluntariado e estágios profissionais internacionais, Marta Baeta foi para o Quénia. Trabalhou como voluntária na maior favela do mundo - Kibera tem cerca de 2,5 milhões de habitantes - e conheceu as crianças que, por pura inocência, mudariam a sua vida. Foi o início do projeto «From Kibera with Love».
«Sempre achei que podia mudar o mundo. Agora não acredito em nada disso. Eu só posso mudar o mundo das pessoas com que me relaciono e com quem me cruzo», disse Marta Baeta.
O teu projeto começou graças ao voluntariado da AIESEC?
Sim, foi depois de fazer três meses de voluntariado através da AIESEC no Quénia. Percebi que podia realmente, com a ajuda de outras pessoas, fazer a diferença na vida destas crianças e fui, aos poucos fazendo cada vez mais e ajudando cada vez mais. Assim ganhou a dimensão que tem hoje.
No que consistia o voluntariado com as crianças?
Eu inicialmente ia só dar-lhes aulas, mas depois percebi que havia uma enorme dificuldade para isso porque eles eram muito pequeninos e a barreira da língua era gigante. Então comecei por também ocupá-las nos tempos livres, ficar responsável pela alimentação delas, pela higiene, cuidados básicos de saúde. Foi o início.
E como é que o projeto cresceu?
Antes de me vir embora coloquei 16 crianças numa escola, graças às pessoas que me foram ajudando. Cada criança tinha um padrinho, que pagava pela educação. Depois voltei para lá, passado uns meses, para ver se estava tudo bem. A partir daí fui mais vezes. Fui cuidando de mais crianças, comecei a conseguir dar-lhes outras coisas, para além da educação. Agora também dou apoio a nível médico, alimentação, vestuário, calçado. Vai crescendo cada vez mais.
Como encontraste as primeiras crianças?
Elas frequentavam a escola onde eu fiz voluntariado com a AIESEC. Quando os três meses passaram eu fui-me embora, voltei e comecei a trabalhar sozinha com eles. Durante os três meses, enquanto era voluntária, angariei dinheiro para meter as crianças na escola.
Depois vieram os irmãos mais novos, mais velhos, primos, vizinhos, conhecidos e os que ouviram falar de mim. Não houve propriamente um critério.
Começaste com 16 crianças. Quantas tens agora sob teu encargo?
Sessenta.
Não tinhas irmãos e de repente és a irmã mais velha de 60 miúdos.
Sim. Eu pego neles e faço muitas coisas com eles.
Na altura das férias, em que os meninos estão comigo 24 horas há uma série de atividades com eles e dou-lhes aulas, porque alugo uma escola. Eu vou às escolas todos os dias, vejo o que se passa, vou visitar os pais, as famílias, vou comprar coisas para começar um negócio com alguma das mães, vou aos médicos, porque há sempre miúdos doentes.
Eu abdiquei de tudo para isto. Agora é a minha vida normal.
Quem te tem apoiado mais neste projeto?
São as pessoas individualmente.
Individualmente como cada pessoa que apadrinha uma criança?
Sim, há os apadrinhamentos que garantem só a educação das crianças. Depois algumas pessoas se identificam com o projeto e querem ajudar. Respondem aos meus pedidos de apoio.
Mas quem são essas pessoas?
Inicialmente eram só as pessoas que eu conhecia no Facebook, os meus familiares e amigos. Agora é a nível mais do que nacional. Recebo apoios de pessoas de vários países. A escala já está um bocadinho grande.
Que tipo de donativos recebes de quem quer ajudar? Apenas monetários?
Monetários e de bens. Eu coloco no Facebook as coisas de que mais preciso. Bens e medicamentos, material escolar, produtos de higiene, etc, conforme o que vou vendo que faz mais falta na altura.
Quando olhas para trás o que sentes com isto tudo?
Bem, mudei imenso desde que isto começou. Também porque me dediquei a isto totalmente. Tenho bem noção que sozinha era impossível fazer isto tudo porque as pessoas são realmente fundamentais nisto e ajudam imenso. Acho que é isso, fundamentalmente, que eu tiro deste projeto. As pessoas são boas. As pessoas são muito solidárias e já perceberam que juntos conseguimos fazer a diferença.
Sentes-te realizada?
Sinto, mas ainda não o suficiente.
O que falta?
Ainda falta tanto. Vou sentir-me realmente realizada quando a primeira destas crianças for para a universidade. Aí sentirei mesmo que este é um dever cumprido.
A criança mais nova tem quantos anos?
3, mas agora há uma bebé com nove meses chamada Marta Baeta.
Vais acompanhar também a educação desse bebé até à universidade? É o objetivo do projeto?
Sim.
E consegues aceitar mais crianças neste momento?
Não, eu não quero aceitar mais crianças neste momento. Porque a ideia não é simplesmente dar-lhes acesso à educação. A maior parte destas crianças está em escolas bastante boas de Nairobi, o que tem um preço mais elevado, claro. Eu quero que isto continue uma coisa mais familiar. Eu gosto de saber o primeiro e último nome de cada um deles. Neste momento quando oiço um choro eu sei quem está a chorar, quando oiço um riso eu sei quem está a rir. Sei perfeitamente como eles reagem a tudo. Quero manter isso assim.
Não tens medo que o projeto se encerre nestas sessenta crianças e que outras percam oportunidades?
Não, porque eu quero fazer um trabalho bem feito, mesmo que seja pequeno.
E como conseguiste pôr estas crianças nas escolas?
Estas escolas são escolas em condições. Faz-se uma entrevista, vê-se para que ano a criança teoricamente tem de ir, e depois pago a escola. As escolas não estão envolvidas no projeto.
Tens tido reconhecimento ou algum apoio no Quénia?
Não, no Quénia não.
Como é que eles te encaram no Quénia?
Como dinheiro. Eles acham que todas as pessoas brancas têm muito dinheiro, então só se relacionam contigo com esperança de receber algo em troca.
Como é a tua relação com as pessoas do Quénia?
A relação com os pais dos meus miúdos, de forma geral, é boa. E também não me relaciono com muitas mais pessoas lá, porque não me interessa. Já percebi como as coisas funcionam.
É difícil. Vale a pena?
Vale.
Porquê?
Por eles. Sei que estou a mudar a vida deles.
Como achas que seria a vida deles sem ti?
A maioria já não estaria a estudar neste momento, porque no Quénia não há escolaridade obrigatória. E certamente muitos teriam ido por caminhos errados.
Viste muitas crianças a irem por caminhos errados no Quénia?
Sim.
Qual é a media de idades dos teus meninos?
Entre os 7 e os 9 anos.
E o que a maiorias das crianças entre os 7 e os 9 anos faz no Quénia?
Vão buscar água, lavam roupa, procuram lixo na rua para venderem ou para comerem ou para brincarem, cheiram cola e não dormem em casa, os que têm casa.
Os teus pais apoiam-te?
Agora sim. Até há um ano não. A minha mãe, há cerca de um ano, começou a perceber que era isto que eu queria para sempre. O meu pai demorou mais tempo, mas já me apoia.
Como ias para o Quénia sem o apoio deles?
Sou maior de idade e ia por minha conta. Nunca lhes pedi dinheiro. Sempre juntei dinheiro para ir, sempre vendi coisas e algumas pessoas ajudavam.
Agora com que frequência vais para o Quénia?
Depende. Às vezes 4 vezes por ano. Às vezes fico lá mais tempo às vezes não posso. Depende muito da minha agenda.
Tens residência lá?
Não, normalmente alugo uma casa ou um quarto ou uma cama ou fico em casa de amigos.
Achas que consegues sobreviver e manter-te com este projeto?
Até agora tem dado. No futuro logo se vê.
Como é que esta experiência te mudou?
Fiquei mais madura. Já aceito qualquer coisa praticamente, agora tenho uma grande capacidade de aceitação. Aprendi a organizar-me mais.
Qual foi a tua maior dificuldade ao longo do projeto?
Organizar-me no meio disto tudo. Organizar o projeto, responder às pessoas, chegar aos meios de comunicação social, pedir ajuda pelo Facebook, estar nos eventos, etc. Conciliar tudo no fundo.
E como foi iniciar um projeto destes num sítio completamente diferente aos 23 anos?
Foi muito difícil por causa do choque cultural. O choque foi gigante em todos os aspetos. Desde os hábitos, as coisas normais que fazemos todos os dias, às questões de família, cultura, casamento.
No Quénia, por exemplo, as pessoas não demonstram afeto, nem em casa, praticamente, entre filhos, pais, namorados. Nada. Não há afeto, não há darem a mão. Não há uma demonstração de carinho, nada. É uma coisa que não nos passa pela cabeça. Nós beijamos os nossos namorados e pais na rua, lá não. Um abraço lá é uma loucura e é uma coisa mínima.
Porque quiseste ir fazer voluntariado no Quénia?
Eu estava disposta a ir para qualquer lugar do mundo, mas percebi que queria África. Decidi trabalhar com algo relacionado com crianças pequeninas para não me relacionar tanto com elas, pensava eu. Depois comecei a ver Kibera, Kibera. Fui à net ver o que era Kibera, vi que era a maior favela do mundo, e pronto. Decidi Kibera.
O que dirias aos jovens que querem fazer alguma diferença?
Para irem atrás dos vossos sonhos, independentemente de eles parecerem loucos e absurdos e completamente diferentes de toda a realidade que vocês conhecem, e que acham que é a correta e a que devem seguir.
Era um sonho?
Não necessariamente. Foi algo que foi surgindo com o tempo. Nunca pensei gostar destas crianças como aconteceu.
Por: Ana Ernesto